Uma contribuição para a construção do Serviço Público de Saúde Mental de Araxá, e para o exercício da cidadania e da sensibilidade.
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domingo, 5 de junho de 2011
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
NOVAS INDIVIDUAÇÕES E UMA NOVA SAÚDE - Emerson Merhy
Fragmentos do II CONGRESSO INTERNACIONAL DE ESQUIZOANÁLISE E ESQUIZODRAMA - Uberaba
No mundo hoje, há mudanças de dispositivos subjetivos existenciais.Hoje não temos facilidade em dizer em qual momento a produção de capital explora e em qual a reprodução, força o trabalhador se recompor para ser explorado.
Estar implicado no modo de viver opera-se conecções de encontros. Cada lugar é o lugar da grande política.
O campo da saúde, é um campo da prática de produção de cuidado, que liga-se a produção de biopoderes, biopolítica.
A indústria farmacêutica invade o modo de existir do indivíduo, trazendo uma idéia perversa de que ter saúde é um risco de ser doente. “Tome o medicamento para não ter o que você não tem.” Hoje alimento não é mais alimento, é remédio. Você está em risco por que tem saúde... È o processo de subjetivação coletiva transformado em processos vitais. O próprio processo de investimento é desinvestido, desterritorializado. A medicina tem tendência a ser tecnóloga: o especialismo.
O interdisciplinar é paradoxal, prefere o trabalho ENTRE.
A vida em sua produção é resistência, precisamos sustentar a produção de vida. Temos que compor cotidianos de vida, estes são lugares de construção de resistência, mesmo que ninguém saiba. A capacidade que temos de vida, é o que faz-nos sobreviver além.
No mundo hoje, há mudanças de dispositivos subjetivos existenciais.Hoje não temos facilidade em dizer em qual momento a produção de capital explora e em qual a reprodução, força o trabalhador se recompor para ser explorado.
Estar implicado no modo de viver opera-se conecções de encontros. Cada lugar é o lugar da grande política.
O campo da saúde, é um campo da prática de produção de cuidado, que liga-se a produção de biopoderes, biopolítica.
A indústria farmacêutica invade o modo de existir do indivíduo, trazendo uma idéia perversa de que ter saúde é um risco de ser doente. “Tome o medicamento para não ter o que você não tem.” Hoje alimento não é mais alimento, é remédio. Você está em risco por que tem saúde... È o processo de subjetivação coletiva transformado em processos vitais. O próprio processo de investimento é desinvestido, desterritorializado. A medicina tem tendência a ser tecnóloga: o especialismo.
O interdisciplinar é paradoxal, prefere o trabalho ENTRE.
A vida em sua produção é resistência, precisamos sustentar a produção de vida. Temos que compor cotidianos de vida, estes são lugares de construção de resistência, mesmo que ninguém saiba. A capacidade que temos de vida, é o que faz-nos sobreviver além.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Saúde Mental, Família e Violência – Jonas Melman
Fragmentos do II CONGRESSO INTERNACIONAL DE ESQUIZOANÁLISE E ESQUIZODRAMA - Uberaba
Quando se pensa em mudar a psiquiatria, fala-se em mudar a função e o objeto. Em um novo modelo de cuidado, exige-se a proposta de olhar profissionalmente os familiares. É um cuidado de uma clínica ampliada para o ambiente externo.
É importante repensar também o fenômeno da violência na Saúde Mental: a violência relacionada à doença mental, a saúde mental relacionada à não-violência, de usuários para com familiares, de familiares para com usuários, de usuários para com profissionais, de profissionais para com usuários.
Os rituais da humanidade legitimam a violência. Ela fere a dignidade humana e faz sofrer. Ela fere quem sofre e quem exerce a violência. Produz transtornos mentais e sofrimento mental.
Aceitar a loucura e a violência é parte do processo de aceitar a vida em sua totalidade.
Os profissionais sentem-se inseguros para cuidar da família e pacientes. O cuidado é mais dirigido aos pacientes que à família. Cuidar de pessoas em situação de violência significa também cuidar de familiares.
Resiliência: teoria que se interessa pelas mudanças das relações afetivas e culturais que podem modificar o funcionamento do ser humano. Corresponde á potência de a pessoa almejar uma virada na vida, uma metamorfose em direção a um projeto de felicidade.
Política pública consistente + relação de cuidado e confiança = movimento de busca de uma nova identidade das pessoas – o seu lugar no mundo.
Quando se pensa em mudar a psiquiatria, fala-se em mudar a função e o objeto. Em um novo modelo de cuidado, exige-se a proposta de olhar profissionalmente os familiares. É um cuidado de uma clínica ampliada para o ambiente externo.
É importante repensar também o fenômeno da violência na Saúde Mental: a violência relacionada à doença mental, a saúde mental relacionada à não-violência, de usuários para com familiares, de familiares para com usuários, de usuários para com profissionais, de profissionais para com usuários.
Os rituais da humanidade legitimam a violência. Ela fere a dignidade humana e faz sofrer. Ela fere quem sofre e quem exerce a violência. Produz transtornos mentais e sofrimento mental.
Aceitar a loucura e a violência é parte do processo de aceitar a vida em sua totalidade.
Os profissionais sentem-se inseguros para cuidar da família e pacientes. O cuidado é mais dirigido aos pacientes que à família. Cuidar de pessoas em situação de violência significa também cuidar de familiares.
Resiliência: teoria que se interessa pelas mudanças das relações afetivas e culturais que podem modificar o funcionamento do ser humano. Corresponde á potência de a pessoa almejar uma virada na vida, uma metamorfose em direção a um projeto de felicidade.
Política pública consistente + relação de cuidado e confiança = movimento de busca de uma nova identidade das pessoas – o seu lugar no mundo.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Alegria e Alívio - Emerson Merhy

APS e seus trabalhadores : no olho do furacão antimanicomial . Alegria e Alívio como dispositivos analisadores * §
Emer son Elias Merhy / 2004
Idéias
No seu estudo sobre o trabalho médico no Progr ama de Saúde da Família, em São Paulo, Angela Capozzolo 1 teve a interessante imagem do olho do furacão, para repre s e n t a r o que via na promessa deste Prog ama em ser alternativo e substitutivo ao que chama de modelo médico hegemônico. Considera que este modelo não tem capacidade de oper a r a produç ão da saúde, pois está,antes de tudo, comprometido com os interesses econômicos e corporativos predomina nt e s na sociedade, e não com o mundo das necessidades de saúde dos indivíduos e coletivos.
Sem discorda r da visão crítica que, com a sua promes s a, nos oferta do modelo médico hegemônico, o que me chamou a atenção, e da qual vou pedir algumas coisas emprestadas para a Angela, é a idéia de que: quem promete ser alternativo e substitutivo de um outro modo de produzir ações de saúde, ou mesmo, quem do seu lugar faz uma leitu a crítica das formas
* Gostaria de deixar claro que este texto é um ensaio e é devedor de um trabalho coletivo com os profissionais do Cândido Ferreir a, Campinas , durante o ano 2003, com quem pude vivenciar muita s situações instigantes , não confortáveis, de como é dura a vida dos que apos tam na mudanç a. Sou devedor também de muitas de suas idéias, que,aqui, sistematizo e agrego novos elementos
§ Muitos dos termos que uso, como alívio, cuidar de cuidadores , são devedores de vários outros com quem venho trabalhando. No decorrer do texto cito partes das fontes, outras ficaram tão minha s também que não as localizo, mas as reconheço como de muitos autores .
1 A Angela apresentou este trabalho como sua tese de doutoramento no Curso de Pós em Saúde Coletiva no DMPS/UNICAMP
1
hegemônicas de se construir práticas de saúde; só pode estar no olho do furacão.
Não quero com isso copiar os mesmos sentidos desta representação, mas ela nos ajuda a olhar o que, hoje, a rede de CAPS promete no discurso do movimento antimanicomial e no campo das estratégias para a reforma psiquiát rica, no Brasil.
Quem vem propondo, e me parece com muito acerto, que caminhar na consti tuição de redes subs titutivas ao Manicômio é apostar na construção de CAPS, por semelhança, está em um lugar muito parecido daquele que descrevi atrás do estudo da Angela. Pois, entendo que, nest e sentido, os CAPS promet em fazer a crítica do mundo manicomial e ser lugar de construção das práticas alternativas e subs titutivas.
Reafirmo que as experimentaçõe s de construção dos CAPSs têm sido muito produtivas, para gerar em processos antimanicomiais; e, mais, têm de fato melhor ado a vida de milhares de usuários destes serviços.
Ousaria dizer que dent r e as várias missões que eles comportam,
há algumas que têm mostra do a supurioridade efetiva destes tipos
de equipamentos perante o que a psiquiatria clássica e os manicômios const ruí r am, nestes últimos séculos.
O fato dos CAPS estar em dirigidos, como equipamentos de saúde, para a produç ão de intervenções em saúde mental, que se pautam pelo(a): 2
Direito do usuár io ir e vir
Direito do usuá io desejar o cuidado
Oferta de acolhimento na crise
Atendimento clínico individual e coletivo dos usuários, nas suas
complexas necessidades
Construção de vínculos e referências, para eles e seus “cuidadoresfamiliares” ou equivalentes
Geração de alívios nos demandantes
Produção de lógicas substitutivas em rede
Matriciamento com outras complexidades do sistema de saúde
Geração e oportunização de redes de reabilitação psico- social,inclusivas; os tornam, em termos de finalidades , ao mesmo tempo, dispositivos efetivos de tensão entre novas práticas e velhos “hábitos”, e lugares de melhorias reais na const ruç ão de formas sociais de tratar e cuidar da loucura.
Por isso, estar em no “olho do furacão” antimanicomi al, tornam- os lugares de manifestação dos grandes conflitos e desafios, como venho apontando no decorrer do texto; e ousar dar conta destas missões, gigantescas , é estar aberto a operar no tamanho da sua potência e governa bilidad e, adotando como um dos princípios o de ser um dispositivo para isso, o que implica em produzir novos coletivos para fora de si mesmo.
Neste sentido, estão no olho do furacão e, como tal, os que o estão fabricando devem e podem usufruir das dúvidas e das experimentações , e seria muito interessan e que tornassem isso um elemento positivo, como marcador contra os que possam imaginar que ele já é o lugar das certeza s antimanicomiais.
3
Esta última postura, das certezas , carrega consigo um grande perigo. Estar no olho do furacão é atiçar um inimigo poderoso: o conjunto dos que se constituíram e constituem o mundo, e um mundo, manicomial. Deste modo, ter uma postura de que na constituição dos CAPS devemos seguir modelos fechados ou receitas, é eliminar a interessante multiplicidade deste, e não aproveitar de um fazer coletivo solidário e experimental. Com isso, abre- se o flanco para que aquele inimigo poderoso seja o referencial crítico, fazendo da crítica um lugar da negação e não um campo instigante de cooperç ão, reflexão, auto- análise e ressignificação das práticas; que, antes de tudo, se propõem produzir em novas vidas desejantes , novos sentidos para a inclusividade social, onde antes só se realizava a exclusão e a interdição dos desejos.
Apostar alto deste jeito, é crer na fabricação de novos coletivos de trabalhadores de saúde, no campo da saúde mental, que consigam com o seus atos vivos, tecnológicos e micropolíticos do trabalho em saúde, produzir em mais vida e interditar em a produção da morte manicomial, em qualquer lugar que ela ocorra.
Aqui, estou considerando como marcador nobre, um dos eixos nucleares da reflexão, a noção de que o trabalho no campo da saúde mental - que se dirige para desinterditar a produção do desejo e, ao mesmo tempo, gerar redes inclusivas, na produção de novos sentidos para o viver no âmbito social -, é de alta
complexidade, múltiplo, interdisciplinar , intersetorial e interprofissional; que, em última instância, só vinga se estiver colado a uma “revolução cultural” do imaginário social, dos vários 4 sujeitos e atores sociais, ou seja, se constituir- se, também, como gerador de novas possibilidades anti- hegemônicas de compreender a multiplicidade e o sofrimento humano, dentro de um campo social de inclusividade e cidadanização.
Reforço que este trabalho humano tem que ser portador de capacidade de vivificar modos de existênci as interditados e antiprodutivos, tem que permitir que vida produza vida, implicação última de qualquer trabalho em saúde, enquanto trabalho que opera na sua dimensão tecnológica, centralmente, modos em ato de trabalho vivo, que podem e devem, na minha concepção, adquirir sentido na medida que a sua “alma” seja a produção de um cuidado em saúde dirigido para ganhos de autonomia e de vida dos seus usuários. Para quem a vida, como utilidade, faz muito sentido.
Apostar alto deste jeito é se permitir usufruir de ser lugar do novo e do acontecer em aberto e experimental , é construir um campo de proteção para quem tem que inventar coisas não pensadas e não resolvidas, para quem tem que construir suas caixas de ferramentas , muitas vezes em ato, para quem, sendo cuidador,deve ser cuidado.
Sempre será uma aposta, em boa medida, experimental , construir novos modos tecnológicos e sociais que permitam o nascer , em terreno não fértil da subjetividade aprisionada da loucur a excluída e interditada, de novas possibilidades desejanes , protegidas em redes sociais inclusivas.
5 Por isso, para todos aqueles que estão implicados com estas apostas, imagino, que mesmo que tenhamos pistas sobre como isso foi feito em algum lugar , como algum coletivo já exercitou e realizou isso, devemos nos proteger de tornar estas experiências em paradigmas e receitas, em guias de nossas práticas; e,
sabiamente, considerá- las como pistas, como momentos e lugares para mirarmos , como alimentos para digerirmos e ressignificarmos com os nossos fazeres , com os nossos coletivos reais, nos nosso mundos concretos.
Proponho entrar nesta aposta de modo crítico, solidário, experimental , impedindo que os inimigos sejam os que façam o nosso questionamento. Façamo- lo entre nós, ampliando, desta forma, nossa capacidade de inventar muitas maneiras de ser antimanicomial. Par tamos do princípio de que já sabemos fazer um
monte de coisas e que, também, não sabemos outras tantas, ou mesmo, fazemos coisas que não dão cer to; e, com isso, vamos apostr que é interressante e produtivo construir “escutas” do nosso fazer cotidiano para captar estes ruídos, neste lugar onde se aposta no novo, mas se está diane da permanente tensão entre o
novo e o velho fazer psiquiát rico e/ou seus equivalentes .
Como regra, ao nos depararmos diante de uma tarefa dessa, voltamos nosso olhar imediatamente para aquele que dá o sentido do trabalho em saúde: o usuário e seu mundo de necessidades e possibilidades; e, com correção, saimos a cata de modos de indicar que o nosso agir antimanicomial está produzindo desinterdição de desejos e inclusão. Entretanto, aqui, gostaria de uma outra viagem, pois entendo que um coletivo, que esteja implicado com 6 este tipo de agir, para ter as capacidades que ele exige, necessita estar re- criando em si, de modo constante, mecanismos de reprodução deste coletivo, que lhe garanta enquanto lugar da vida
de seus protagonistas .
Proponho, adiante, olhar para a “máquina desejante” coletivo de trabalhadores de um CAPS, como um lugar que nos estimula a falar do que estou apontando, tanto quanto aquele que
analiticamente pergunta o que estamos fazendo com o usuário com o nosso trabalho em saúde.
Refletindo sobre o cotidiano de uma equipe de CAPS.
Ofertando idéias O meu olhar, que oferto nesta reflexão, vem do lugar de quem neste último ano tem se dedicado a “cuidar” de cuidadores . Termo que peço emprestado para Cinira M. For tuna 2 , que ao estudar o modus operandi de um coletivo de trabalhadores de saúde, em Ribeirão Preto, tratou desta mirada nas suas análises. Pois bem, estou ofertando um olhar deste lugar que venho ocupando junto a alguns coletivos, que operam na saúde mental, em particular na rede de Campinas, vinculado às equipes do Serviço de Saúde
Cândido Fer r ei r a. .
Dentre muitas coisas interessantes e acertos que os trabalhadores realizam, vi e vejo, também, muitas dificuldades dos trabalhadores para entender em e resolver em várias ques tõe s que estão 2 A Cinira apresentou esta temática através da sua tese de doutoramento no Curso de
Pós Graduação da Escola de Enfermagem da USP/RIBEIRÃO PRETO 7 envolvidas no seu exigente cotidiano, no qual se cruzam distintas e importantes intencionalidades . Entre elas, destaco: de um lado,
a existência de um cotidiano fortemente habitado por intensas demandas de cuidado, que usuários, muito múltiplos e, facilmente, em estados de crises, têm sobre a equipe; e, do outro, pela presença marcante de um imaginário do trabalhador , de que o seu agir clínico é suficientemente ampliado e a sua rede de relações
intra e intersetorial, para além da clínica, é suficientement e inclusiva, que com os seus fazere s, o louco não vai ficar nem mais enlouquecido e nem excluído.
Caminhar nestas linhas tem colocado, sobre o ombro dos trabalhadores , “pesos” importantes para o seu agir, e que facilmente geram fazer es árduos, que os fazem experimentar , o tempo todo, sensações tensas e polares, como as de potência e impotência, const ruindo no coletivo de trabalhadores situações bem paradoxais, nas quais cobram de si e do conjunto posicionamentos profissionai s e estados de ânimos muito difíceis de serem mantidos, durante todo o tempo do trabalho; particularmente , para aqueles que ofertam seu trabalho vivo para vivificar o sentido da vida no outro.
Não é por acaso, que muitos trabalhadores , em supervisão, falam,como um lamento, da sua exaustão, da sua tristeza, da sua incapacidade de acolher o outro, o tempo todo, e do seu pavor
diante das crises dos usuários. E, cobram, exatamente de si, o oposto: o de estar sempre em prontidão e apto, o de estar sempre atento e alegre, o de oferta rescuta a todo momento, que se fizer 8
neces s á r io, e o de tomar as crises como eventos positivos e como oportunidades. .
Por estas manifestações serem comum, tão sofridas e dúbias, é que devemos nos abrir para escutá- las. E, neste sentido, é disso que quero tratar , agora. Antes de mais nada, gostaria de propor
que encararemos estas situações como lugares de polarida des não excludentes , e, ao mesmo tempo, estas polarida de s como constitutivas do “olho do furacão”, no qual os CAPS e seus
trabalhadores se enconr am. E, assim, como matérias primas/oportunidades para se pensr , e problematizar , sobre o modo cotidiano como se fabrica, ou se pode fabrica r , CAPSs antimanicômios.
Os paradoxos do cotidiano e o que aprender com eles para pensar a produção dos anti - manicômios
De novo, restrinjo- me ao âmbito dos CAPS, pois poderia tratar da construção de anti-manicômios de uma maneira mais alarga da, oque seria bem pertinente pelo fato do manicomial não ser um lugar, mas uma prática social, cultural, política e ideológica. Entretanto, para efeito do que vem sendo dito, até agora, situar- se
no CAPS, já é muito.
Partindo do princípio de que só produz novos sentidos para o viver quem tem vida para ofertar , vou procurar pensar sobre uma equipe alegre, que não exaure, que atua na crise como oportunidade .
9 Neste momento, um outro empréstimo é útil. Spinoza me ajuda a pensar – de forma bem livre - que a vida em produção, como lugar de expressão do divino que é, se manifesta de várias formas. Que a alegria é uma destas manifestaçõe s das mais interessantes ,porque um corpo alegre está em plena produção de vida, está em expansão. Por isso, tomo este emprést imo, para sugerir que sópode estar implicada com um agir antimanicomial uma equipe de trabalhadores alegres . Ou seja, só um coletivo que possa estar em
plena produção de vida em si e para si, pode ofertar , com o seu fazer, a produção de novos viveres não dados, em outros. Ou, pelo menos, instigá- los a isso.
Tomando a alegria como indicador da luta contra a tristeza e o sofrimento, a que são submet idos todos os coletivos de trabalhadores da saúde, podemos utilizá- lo também como analisador a das suas práticas. Não que, com isso, imagino que o coletivo seria um bando de “penélope s saltitant e s”, mas que penso o quanto na dobr a tristeza/alegria deste coletivo, no seu fazer cotidiano, pode estar alguma s chaves auto- analíticas para remetê-lo a uma discussão de seus proces sos de trabalho e implicações .
Tenho experimentado, isso, com grupos de trabalhadores e me instigado a idéia de que há que se instituir como parte do cotidiano, além das supervisões institucionais e clínicas, arranjos auto- geridos pelos trabalhadores que lhes permitam re- ordenar suas tristezas e sofrimentos, realizando, inclusive, auto- cuidado de si como cuidadores . Arranjos que desloquem, mas os recoloquem, do fazer cotidiano que lhes consome em vida e em ato, como se 10 fosse um ser antropofágico. Situaç ão não difícil de entender em processos de trabalho que se aliment am do trabalho vivo em ato, como qualquer agir em saúde.
Por isso, agrego, sem fundir, a idéia de exaustão ou, melhor, de combustão do trabalhadores da equipe. Aqui, o empréstimo é das linhas de investigação que vêem, no campo da saúde do trabalhador , pensan do o seu “burn out” como expressão de processos de trabalho altame nt e exploradores e alienadores . Isto é, trago como indicador analítico a noção de exaustão do trabalhador , para se agreg r ao de alegria/tristeza, no sentido de que um produtor de novas possibilidades de vida, que para isso consome a sua própria, se não produzí- la o tempo todo, exaur e. Ou seja, provoca combustão total de sua energia vital.
Poder gerar processos , no cotidiano, que exponham estas questões é permitir que o coletivo pense e fale sobre isso; e, assim, atuar sobre a produç ão destas situações e estados. Vejo que os trabalhadores , que procur am caminhar por aí interrogam de modo bem produtivo o seu próprio fazer manicomial, interrogam o que lhes entristecem e exaurem, e com estas interrogação abrem oportunidad s de se re- situar em em relação a novas possibilidades antimanicomiais.
Ofertando imag e n s
Imaginem algum trabalhador relatando em um encont ro da equipe o sentido de não- vida que adquire ao final de cada dia de trabalho e a exaustão que sente; que, quando sai do serviço ou das 11 atividades , sente um alívio enorme, adquire mais oxigênio e respira melhor; que não sente vontade de voltar no dia seguinte.
Imaginem este trabalhador chegando em um CAPS, encontrando dezenas de usuários que irão participar de várias atividades , algumas das quais ele é responsável; e, de repente, um dos seus 20 casos- referEncias entra em uma crise séria, na moradia. Este trabalha dor , para dar conta destas tarefas, vai ter que se
apoiar na equipe, mas vai também ter que atuar , diretamente e , no seu caso- refer ência, vai ter que acolhê- lo na crise. Vai ter que usar de sua clínica, de suas perspicácias, de suas redes de ajuda. Vai ter que gerar intervençõe s singulares e novas redes. Vai ter que, e pode, aproveitar a opor tunida de que a crise permite para ressignificar o Projeto Terapêutico que vem gerindo em relação àquele usuá rio. Pode inclusive descobr i r novas pistas intersetoriais para criar outros sentidos, para vários de seus casos- referência s.
Enfim, vai ter que acolher , escutar , ressignificar , expor- se a vínculos e jogos transferenciais, abri r- se em rede, atuar em linhas de fuga. Vai ter que exercer saberes tecnológicos clínicos, construir redes de encontros entre competências de intervenção, abri r- se para redes intra- saúde, que possam supor t a r e agregar novos agires tecnológicos, inclusive no momento de uma crise que pode se tornar um sério caso de urgência e emergên ci a. Terá que ter rede de supor t e.
Vejam, alguém exaur ido e triste, sem alívio, diante de todas estas demandas e necessidads , como é que vai gerar vida, além de ter
12 que produzir novas e inovador as ações. Este trabalhador , se vier para um grupo que o acolha e se abra para escut á- lo, provavelment e, vai relatar diante disto tudo uma grande sensação de mais exaustão e tristeza. Uma grande sensaç ão de impotência, ou mesmo, vai relatar que só deu conta das tarefas porque não foi antimanicomial, mas sim burocrat a do atendimento. Fez o fluxo de atendimento andar , mas não o domina, nem o compreende . Só tocou o cotidiano. Gerou alívios nos outros.
De fato, muito do que tenho visto, a par tir de momentos muito parecidos, são equipes relatando o seu medo com as crises, com as urgências e emergências , e o mass acre que tem sido, simplesmente , tocar os fluxos de atendimento. Isto tem sido tão significativo, que em uma supe rvisão concr et a alguns trabalhadores chegaram a montar a seguinte imagem, em uma atividade de supervis ão: nós geramos alívios nos out ros, mas não temos nenhum alívio para olhar e repensar o nosso trabalho; não sabemos se estamos ou não sendo um coletivo/dispositivo antimanicômio.
E, aí, o desafio que fiz para a equipe - com a qual pude pensar e sistematizar muito do que tem neste texto -, foi o de imaginar as várias possibilidade s de produção de uma alegria e um alívio, no cotidiano do trabalhador , implicado com um agir antimanicomial,encarando a produção cotidiana dos seus inver sos: a tristeza e a exaustão, para poder criar uma aposta coletiva de desconstruí- las.
Nesta direção, estou suger indo, além dos eixos alegria e combustão, tomar o foco da produção do alívio produtivo13 antimanicomial como uma poderosa arma a favor da construção dos CAPS anti-manicômios.
O que isso pode significar? Como imaginá- lo?
Todo proces so de trabalho que captur a plename n t e o trabalho vivo em ato na produç ão, impede a construção do alívio produtivo pelo trabalhador e a equipe. Dá- lhes grau zero de liberdade para ressignificar em seus atos e inventar em novas possibilidades e sentidos para os seus fazer es produt ivos. Organizar CAPSs, que aliviam os demandantes , sem se construir mecanismos descaptu r a n t e s do trabalho vivo em ato, impede a possibilidade do
trabalho em saúde mental tornar - se um dispostivo de intervenção anti-manicômio. O que coloca, como uma grande tarefa, a construção cotidiana de alívios para o trabalho vivo em ato gerar novos caminhos.
Como fazer, isso?
Sem receitas . Creio que cada coletivo deve problematizar , no seu fazer, a implicação com o agir antimanicomi al e a const rução de tempo real de trabalho, no interior da equipe, dirigindo- o, intencionalmnte, para fabricar novos sentidos para o viver do louco e da loucur a na sociedade, abrindo novas pistas, em cada lugar onde os CAPS são construídos.Mas, é possível produzir alívios produtivos no interior da equipe,
sem negar que uma das missões seja a de gera r alívios nos demand a n t e s ? Será que isso não exige ressignificar o que vimos 14 entendendo como crise/opor tu nida de e const ruç ão de redes de intervençõe s na urgência e emergê n ci a, em saúde mental? É possível abrir mão de apoio em hospitai s gerais? E, onde não existam, os CAPS de “alta complexidade”, para acolher e internar nas crises, resolvem?
Não conheço uma experiê ncia definitiva que dê conta disso, mas conheço bons exemplos que most r am caminhos diver sos. Há aqueles que não abrem mão de supor t e especializado em hospitais gerais, para a urgênci a e emergê nci a, o que me parec e uma das boas idéias; há aqueles que criam serviços próprios na rede de saúde ment al, de uma complexidade distinta para dar conta desta situação; há os que apostam que os CAPS, em si, devem dar conta desta situação; e, assim, por diant e.
Uma equipe de trabalha dor e s dos CAPSs que não possa usufruir de alívios produtivos e de estados de alegria, de forma implicada, não tem muito a ofer ta r a não ser exaur i r para gerar alívios nos outros, como o manicômio já fazia e faz. Há que radicalizar o sentimento deste “bom” medo, em relação às crises, no interior das equipes , e há que compr e e n d ê- las como um “dispositivos em rotação”, que ao opera r em geram novas formas de cuidado no seu interior, mas agitam e mobilizam os outros, que compõem a rede de cuidados, neste mesmo sentido.
Creio, que ter uma rede bem articulada ent re serviços de saúde mental (CAPS), serviços próprios de urgênci a e emergência (como os SAMUs e PSs) e equipes locais de saúde, seja essencial para dar respos t a s razoávei s a um dos problema s que mais somam, no
15 imaginário social, a favor da lógica manicomial. Ou seja, enfrentar bem esta situação tem um duplo sentido: de um lado, é uma das chaves para gera r alívio produt ivo nas equipes de CAPS; de um outro, ao gerar alívio nos que convivem com loucos, em crise, diminui a pressão para a segregação e exclusão.
A melhor solução encontrada é aquela que se baseia na rede necessária, que dá conta efetiva dos casos de urgência/ emergência, sem gerar exclusão e segregação; ao revés, gerando oportunidades de intervenções terapêuticas e trabalhos intersetoriais inclusivos. O melhor é a rede, possível no local ou na região, que consiga impedir a manicomi alizaç ão e, ao mesmo, não negue a necessidade de gerar alívios nos familiares (ou equivalentes ) e nos cuidadores .
O que interessa, em última instância, é a oportunidade de operar novos sentidos para a ressignificação das crises, tanto no desencadeamento de projetos terapêuticos, quanto na consrução de um conjunto de atividades , em rede, que tragam o usuário para ampliar suas redes de vinculação, aumentando as chances de produzir contratualização e responsabilização nas relações com os outros.
Apostar na const rução de proces sos de trabalho que produzam cuidados para os usuár ios e cuidados para os cuidador es é vital, neste percurso. Permitem vivificar o trabalho em saúde que aposta na construção da qualificação de vidas.
16 Construir a alegria e o alívio produtivo como dispositivos analisadores é um desafio para aquel es coletivos sociais que operam no “olho do furacão” e se propõem como geradores de anti-manicômios.
Bibl io gr af ia
Ana Marta Lobosque Princípios para uma Clínica Antimanicomial e outros escritos Editora Hucitec São Paulo
Angela Capozzolo No olho do furacão: trabalho médico e o programa de saúde da família Tese de doutor ado Curso de Pós Graduação em Saúde Coletiva Unicamp Campinas
Angelina Harar i e Willians Valentini A reforma psiquiátrica no cotidiano Editora Hucitec São Paulo
Antonio Lancet ti, Gregório Barembli tt et al. SaúdeLoucura 4 Editor a Hucitec São Paulo
Cinira Fortuna Cuidando dos cuidador e s Tese de doutorado Curso de Pós Graduação em Enfermagem EERP- USP Ribeirão Preto
Emerson Elias Merhy A loucur a e a cidade: outros mapas
Publicação do Fórum Mineiro de Saúde Mental Belo Horizont e Gregór io Baremblit et al. SaúdeLoucu r a 5 Editora Hucitec São Paulo
Postado por Jorge Bichuetti - Utopia Ativa
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010
CAPACITAÇÃO EM PRÁTICAS GRUPAIS - 2º MÓDULO - 21/08/10
Caro Colega,
Esperamos por você, no sábado (21/08/10), às 13:30, na Policlínica, para nos encaminharmos à Chácara dos Ipês, onde acontecerá a Formação em Práticas Grupais.
Seguem algumas orientações para tornar nosso encontro mais confortável e prazeroso:
• Utilize roupas e sapatos confortáveis;
• Traga almofada e/ou manta, pois faremos atividades no chão;
• Faremos um Sarau, então traga uma poesia, um petisco e uma bebida para ser compartilhada... e o que mais sua criatividade permitir...;
• Traga ainda, seu questionário (quem estiver com ele), sua pasta, mesmo que não a tenha terminado, e um caderno para anotações, se o quiser.
Organização da Capacitação em Práticas Grupais:
SERVIÇO DE SAÚDE MENTAL
Rua Edmar Cunha, 135 – Vila Santa Terezinha
Tel. : 3691 7137 Araxá – MG
Email: saudemental@araxa.mg.gov.br
Blog: saudementalaraxa.blogspot.com
Rua Edmar Cunha, 135 – Vila Santa Terezinha
Tel. : 3691 7137 Araxá – MG
Email: saudemental@araxa.mg.gov.br
Blog: saudementalaraxa.blogspot.com
domingo, 15 de agosto de 2010
Psicofarmacologia na Prática Clínica
Realização: Mental Help - Serviços em Saúde Mental
Professor: Dr. José Sardella (Psiquiatra)
Módulo I: Antidepressivos
Data: 23/10
Módulo II: Estabilizadores de Humor
Data: 06/11
Módulo III: Antipsicóticos
Data: 20/11
Módulo IV: Benzodiazepínicos
Data: 04/12
Carga Horária: 4h/módulo
Horário: 8h às 12h
Local: a ser definido
Investimento por módulo:
Profissionais: 150,00
Estudantes de Graduação: 100,00
Os interessados poderão optar pelo número de módulos que quiserem. Aqueles que optarem por mais de um módulo poderão fazer o pagamento total em uma única vez, ou a cada módulo. O pagamento do primeiro módulo deverá ser efetuado até o dia 15/10. Será fornecido certificado.
Forma de Pagamento:
Por meio de depósito bancário para Sardella Consultoria em Saúde Mental Ltda ou cheque
CNPJ: 09076681/0001-46
Banco Real
Ag: 1747
Conta: 2002764-1
O comprovante de depósito deverá ser entregue no ato da inscrição. Para aqueles que residem fora de Uberlândia, o comprovante poderá ser entregue no início do curso, desde que já tenham informado anteriormente a data do depósito.
Os interessados que residem fora de Uberlândia poderão fazer a sua inscrição enviando os seguintes dados para sadairel@gmail.com:
Nome
Profissão/Estudante
Instituição
Endereço Completo
Telefone
e-mail
Os residentes em Uberlândia deverão realizar a sua inscrição, na Rua Alexandre Marquez, 463 - Martins - Uberlândia (Clínica de Psiquiatria e Psicologia).
Será confeccionado folder de divulgação com ficha de inscrição anexa, onde os dados do inscrito serão registrados oficialmente.
A inscrição somente será considerada mediante a comprovação do depósito realizado.
Telefones para mais informações: 32372525 (Ana Lúcia) - 96679676 e 96881221 (Samara).
www.mentalhelp.srv.br (em construção)
Módulo I: Antidepressivos
Data: 23/10
Módulo II: Estabilizadores de Humor
Data: 06/11
Módulo III: Antipsicóticos
Data: 20/11
Módulo IV: Benzodiazepínicos
Data: 04/12
Carga Horária: 4h/módulo
Horário: 8h às 12h
Local: a ser definido
Investimento por módulo:
Profissionais: 150,00
Estudantes de Graduação: 100,00
Os interessados poderão optar pelo número de módulos que quiserem. Aqueles que optarem por mais de um módulo poderão fazer o pagamento total em uma única vez, ou a cada módulo. O pagamento do primeiro módulo deverá ser efetuado até o dia 15/10. Será fornecido certificado.
Forma de Pagamento:
Por meio de depósito bancário para Sardella Consultoria em Saúde Mental Ltda ou cheque
CNPJ: 09076681/0001-46
Banco Real
Ag: 1747
Conta: 2002764-1
O comprovante de depósito deverá ser entregue no ato da inscrição. Para aqueles que residem fora de Uberlândia, o comprovante poderá ser entregue no início do curso, desde que já tenham informado anteriormente a data do depósito.
Os interessados que residem fora de Uberlândia poderão fazer a sua inscrição enviando os seguintes dados para sadairel@gmail.com:
Nome
Profissão/Estudante
Instituição
Endereço Completo
Telefone
Os residentes em Uberlândia deverão realizar a sua inscrição, na Rua Alexandre Marquez, 463 - Martins - Uberlândia (Clínica de Psiquiatria e Psicologia).
Será confeccionado folder de divulgação com ficha de inscrição anexa, onde os dados do inscrito serão registrados oficialmente.
A inscrição somente será considerada mediante a comprovação do depósito realizado.
Telefones para mais informações: 32372525 (Ana Lúcia) - 96679676 e 96881221 (Samara).
www.mentalhelp.srv.br (em construção)
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Pós Graduação em Análise Institucional: Esquizoanálise e Esquizodrama - Início
Na próxima sexta-feira dia 28 de maio, terá início em Uberaba, o Curso de Pós Graduação em Análise Institucional: Esquizoanálise e Esquizodrama, oferecido pela Fundação Gregorio Baremblitt de Belo Horizonte. Trata-se de uma conquista importantíssima para a nossa região, extendendo-se ao Estado de São Paulo, já que ao longo dos anos, os interessados em realizá-lo tinham que se deslocar até Belo Horizonte. Araxá estará representada pelas companheiras Camila Bahia Leite, Márcia Jardim e Leonice Inês, psicólogas e enfermeira da rede pública de saúde mental; e Lia da Silva Mocho, que durante muitos anos também atuou na rede.
"Este curso é fundamental para todos os que lidam com o homem e suas relações, instituições, processos sociais e clínicos. Baseado na capacidade de intervir, subsidiando a autoanálise e a autogestão, instrumentaliza as ações no campo da intervenção grupal e em redes, em organizações e processos de trabalho/equipes. É uma ferramenta para a clínica e as intervenções socias, onde somos chamados a raspar bloqueios, nós, atravessamentos, repetições e complexos, gerando o istituinte, a cooperação e a mudança. Potencializa a lida com a singularidade, com o diferente e com o devir. Todos nós ( na vida pessoal ou coletiva, nas equipes e nas organizações) não percebemos o quanto de reprodução estéril e antiprodução acumulamos; e nem damos vida à nossa potência produtiva. Mudar esta realidade é uma função do trabalhador que domina este instrumental teórico e prático de intervenção na clínica, pela produção da vida que quase sempre anda evitada, inibida ou bloqueada... Será uma oportunidade de transformar a capacidade de agir e viver..."
Jorge Bichuetti
Desejo que o resultado dessa experiência seja mesmo a transformação da capacidade de agir e de viver; e que dela nasçam cada vez mais agenciamentos solidários e potentes que possam contribuir com o nosso planeta e com a humanidade que nele habita.
Abraços,
Samara.
"Este curso é fundamental para todos os que lidam com o homem e suas relações, instituições, processos sociais e clínicos. Baseado na capacidade de intervir, subsidiando a autoanálise e a autogestão, instrumentaliza as ações no campo da intervenção grupal e em redes, em organizações e processos de trabalho/equipes. É uma ferramenta para a clínica e as intervenções socias, onde somos chamados a raspar bloqueios, nós, atravessamentos, repetições e complexos, gerando o istituinte, a cooperação e a mudança. Potencializa a lida com a singularidade, com o diferente e com o devir. Todos nós ( na vida pessoal ou coletiva, nas equipes e nas organizações) não percebemos o quanto de reprodução estéril e antiprodução acumulamos; e nem damos vida à nossa potência produtiva. Mudar esta realidade é uma função do trabalhador que domina este instrumental teórico e prático de intervenção na clínica, pela produção da vida que quase sempre anda evitada, inibida ou bloqueada... Será uma oportunidade de transformar a capacidade de agir e viver..."
Jorge Bichuetti
Desejo que o resultado dessa experiência seja mesmo a transformação da capacidade de agir e de viver; e que dela nasçam cada vez mais agenciamentos solidários e potentes que possam contribuir com o nosso planeta e com a humanidade que nele habita.
Abraços,
Samara.
terça-feira, 9 de março de 2010
Residência Multiprofissional em Saúde Mental da ESP-MG: a primeira em Minas!
O projeto da ESP-MG foi aprovado pela Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, e pela Secretaria de Educação Superior do Ministério de Educação, segundo portaria conjunta publicada no Diário Oficial da União, de 25 de fevereiro último.
O Projeto de Residência Multiprofissional em Saúde Mental da ESP-MG, em parceria com o município de Betim, prevê 8 bolsas para residentes, das áreas de Psicologia, Enfermagem, Serviço Social e Terapia Ocupacional. Os residentes desenvolverão suas atividades teóricas em 12 horas na ESP-MG, tendo por tutores profissionais do Grupo de Produção Temática em Saúde Mental da instituição; e 48 horas das atividades práticas serão realizadas nos diferentes pontos da rede de atenção à Saúde Mental de Betim, acompanhadas por preceptores da própria rede.
As atividades teóricas consistem em seminários segundo três eixos temáticos - Psicopatologia, Construção de redes em Saúde Mental, e Aspectos históricos e antropológicos em Saúde Mental, supervisões e reuniões clínico-institucionais. Em Betim, atuarão nos CERSAMs, ou CAPS, incluindo plantão semanal de 12 horas; na atenção básica, no centro de convivência e nas moradias protegidas, de forma a garantir sua passagem pelas diferentes linhas de cuidado oferecidas pela rede.
Tendo recebido a boa notícia da homolação do projeto, a ESP-MG dá início ao processo de elaboração do edital, e, simultaneamente, efetua os passos necessários para o credenciamento do projeto.
O leitor encontrará em breve, no Espaço Saúde Mental, novas notícias referentes ao assunto.
O link para o Espaço Saúde Mental-ESP, encontra-se neste Blog, no alto, ao lado esquerdo.
Abraço,
Samara.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
XI Encontro Nacional de Aleitamento Materno
Mensagem da Presidente
Dra. Tereza Toma
Caros amigos e colegas,
Dra. Tereza Toma
Caros amigos e colegas,
Com muita alegria, em nome da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN Brasil) e da Rede Social de Amamentação Santos e Região, anunciamos a 11ª edição do Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM), que será realizado na cidade de Santos, SP, de 8 a 12 de junho de 2010.
Visite e inscreva-se em: http://www.enam2010.com.br
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
CAPACITAÇÃO DE AGENTES DO ALEITAMENTO MATERNO
Aconteceu nos dias 26 e 27 de novembro mais uma ação do PROJETO MATERNAR, idealizado e conduzido com todo o carinho e cuidado (VOLUNTARIAMENTE) pela colega Angela Maria Amâncio de Ávila. O evento foi um sucesso e contou com cerca de 200 participantes, de vários segmentos da comunidade. Acreditamos que somente ações como essa, gestada com o genuíno amor materno, é que poderão amenizar a dura realidade que se abate sobre crianças, mulheres, famílias e sociedade. Vamos em frente !!!
CAPACITAÇÃO DE AGENTES DO ALEITAMENTO MATERNO
OBJETIVOS: CAPACITAR AGENTES PARA INCENTIVAR E DAR APOIO À AMAMENTAÇÃO.
PÚBLICO ALVO: Gestores, Estudantes, Agentes e Profissionais de Saúde, Educadores, Agentes de Comunitários, Pessoal da Vigilância Sanitária, SISVAN, Ministério Público, Conselhos Tutelares, Participantes do Projeto MATERNAR, UNIARAXÁ, Conselheiros de Saúde, Agentes das Pastorais, Centros Espíritas, Igrejas, LBV, Clubes de Serviços, Associações de Bairros, Lojas Maçônicas, Vovós e outras Pessoas que se interessarem ser Amigas da Amamentação em seu bairro.
DATA: 26 e 27 /11/09
HORÁRIO: 8: 00 às 12:00 - 13: 30 ás 17: 30
LOCAL: Hotel Virgilius Palace – R. Dr. Franklin de Castro, 545
INSCRIÇÕES: Fone: 3691.7138/7137 ou no dia 26.11, no local do curso.
LOCAL: Hotel Virgilius Palace – R. Dr. Franklin de Castro, 545
INSCRIÇÕES: Fone: 3691.7138/7137 ou no dia 26.11, no local do curso.
CERTIFICADO: 100% DE FREQUÊNCIA.
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Educação Permanente,
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Notícia,
Políticas Públicas de Saúde,
Psicologia Social,
Saúde Materno-Infantil
Atualização e Educação Continuada em Saúde Mental
Dando sequência às ações de atualização e formação em Saúde Mental, ao longo de 2009, 4 integrantes da equipe de saúde mental de Araxá, participaram do VIII Congresso Internacional de Saúde Mental e Direitos Humanos em Buenos Aires, de 19 à 22 de novembro. Logo após, no dia 28, teve início o Curso: “A CLÍNICA DA SAÚDE MENTAL – CAPS E REFORMA PSIQUIÁTRICA”, em Frutal, ministrado pelos professores Jorge Bichuetti e Fátima (Caps Maria Boneca - Uberaba). A formação será feita em 5 módulos, totalizando carga horária de 40h. Vários municípios da região estão participando. De Araxá, 8 profissionais estão inscritos. Outros interessados ainda poderão se inscrever a partir do segundo módulo, que acontecerá no dia 19 de dezembro. Mais informações sobre o Curso você encontra no marcador "Agenda" desse blog, ou no Ambulatório de Saúde Mental - 3691.7137 ou 7138. Falar com Patrícia.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Projeto MATERNAR - Notícias
O Projeto MATERNAR após a capacitação dos profissionais da rede pública de saúde, implantou o trabalho com os Grupos de Gestantes nas salas de espera da consulta pré-natal nas Unidades de Saúde. Os grupos contam com a parceria do departamento de Odontologia, Fsioterapeutas, Psicólogos, Nutricinosta, Fonoaudiólogo, Terapeuta Ocupacional, Asistente Social e Enfermagem e está aberto a novas contribuições de outros profissionais.
Mais uma ação do Projeto MATERNAR dentro da iniciativa da REDE AMAMENTARAXÁ: Certificação do Selo Empresa Amiga da Amamentação, Escola Amiga da Amamentação, Farmácia Amiga da Amamentação e Centro Universitário Amigo da Amamentação. Previsto para 26 e 27 de novembro próximo a Capacitação de Agentes do Aleitamento Materno para Araxá e microrregião. Esta capacitação tem como público alvo, os profissionais da Rede Pública de Saúde,Vigilância Sanitária, Desenvolvimento Social, Conselho Tutelar, Vovós Amigas da Amamentação, Agentes Comunitários (pastorais, centros espíritas e outras igrejas), Ministério Público, Estudantes da área de Saúde e profissionais dos Hospitais. Esta capacitação visa o resgate da prática do Aleitamento Materno no município de Araxá e microrregião. Os profissionais e agentes capacitados e atualizados no Manejo Clínico Integral da Amamentação poderão prestar assistência às famílias e nutrizes evitando o desmame precoce, a desnutrição e a morbimortalidade infantil.
Aproveitamos o ensejo para agradecer o apoio que o Projeto MATERNAR tem tido do Sr. Prefeito Jeová Moreira da Costa e do Sr. Secretário Municipal de Saúde Antônio Marcos Belo.
Angela Maria Amancio de Ávila
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Saúde Materno-Infantil
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Curso: “A CLÍNICA DA SAÚDE MENTAL – CAPS E REFORMA PSIQUIÁTRICA”
Olá, pessoal.
Está surgindo uma oportunidade imperdível, principalmente para a equipe que trabalhará no Caps em Araxá. Vejam se vocês conseguem se organizar para participarem dessa formação em Frutal.
Por favor, repassem aos demais colegas (de toda a rede).
Obrigada.
Abraço, Samara.
O Instituto Gregório Baremblitt - Rua Antônio de Paula, n°4 – Centro – Frutal/MG - CEP 38200-000. Convida:
Curso: “A CLÍNICA DA SAÚDE MENTAL – CAPS E REFORMA PSIQUIÁTRICA”
CARGA HORÁRIA: 40 HORAS, DIVIDIDOS EM 5 ENCONTROS DE 8 HORAS.
PROFESSORES: JORGE ANTÔNIO NUNES BICHUETTI (Diretor Clínico e Psiquiatra do NAPS “Maria Boneca”); MARIA DE FÁTIMA OLIVEIRA (Coordenadora e Psicóloga do NAPS “Maria Boneca”) da Fundação Gregório Baremblitt em Uberaba.
Objetivos:
1. Capacitar intervenções na clínica da crise e da psicose;
2. Desenvolver manejo de grupo psicoterápico e de oficinas terapêuticas;
3. Compreender a lógica do hospício e o modo de ver e agir da clínica antimanicomial;
4. Instrumentalizar práticas clínicas e sociais com família e comunidade;
5. Subsidiar leituras, intervenções e a produção de vida na lida com o sofrimento mental grave;
Conteúdo:
Dia 28 de novembro de 2009 (último sábado do mês):
a) Crise e desinstitucionalização. Cuidado antimanicomial. Lógica do hospício. Cuidado de crise. Acolhimento e vínculo.
b) Caps. Reforma Psiquiátrica. Convivência. Maternagem e trocas solidárias. Transferência e transversalidade. Exercícios: cuidando de crise.
Dia 19 de dezembro de 2009 (último sábado útil do mês):
a) Clínica da Psicose.Freud, Basaglia e Deleuze-Guattari. LacanLoucura, desrazão – diferença. Outras clínicas do CAPS, do PSF e da rede básica. Psicopatologia – dinâmica dos transtornos mentais.
b) Grupalidade. Freud, Bion, Pichón-Riviere, Sartre e Deleuze-Guattari. Exercícios: a cena temida e bricolagem.
Dia 30 de janeiro de 2010 (último sábado do mês):
a) Oficinas terapêuticas. Repertório. Vivências.
b) Família – equipe – gestão. Exercícios: construindo oficinas para o dia-a-dia.
Dia 27 de fevereiro de 2010 (último sábado do mês):
a) Cotidiano da clínica. Situações limite e o inédito viável. Perfil da demanda. Admissão, alta. Plano terapêutico. Ética: estética e não-violência. Festas e – passeios. Atividades comunitárias. Rede e socius no Caps.
b) Reabilitação Psicossocial. Exercícios: Caçando linhas de fuga.
Dia 27 de março de 2010 (último sábado do mês):
a) Esquizodrama: Laboratório – drama do devir.
b) Teoria e prática: produzindo o novo pela experimentação. Exploração de multiplicidades. Nós e saídas. Exercícios: esquizodrama.
Entrega dos certificados assinados pelos docentes e Direção do Instituto, com 75% de assiduidade.
OBSERVAÇÃO: Todos os encontros funcionaram na seguinte dinâmica, podendo haver mudanças se o coletivo assim decidir:
c) Primeira parte do encontro, das 9:00 horas às 13:00 horas, com intervalo de 15 minutos para lanche;
d) Das 13:00 horas às 14:00 horas – almoço;
e) Segunda parte do encontro, das 14:00 horas às 18:00 horas, com intervalo de 15 minutos para lanche.
Carga horária: 8 horas/encontro, com vivências e exposição teórica.
Investimento: R$ 500, 00, divididos em cinco parcelas de R$100,00.
Data limite de inscrição: 20 de novembro de 2009.
Local do Curso: Rua Antônio de Paula, n°4 – Centro – Frutal/MG - CEP 38200-000.
Comissão Organizadora e Contato para Inscrições: Arlete Borges de Morais (tel.99956847); Celso Peito M. Filho (tel.99944041); Bernardino Lopes Neto (tel.99252396), Simone A. Cavalcanti (tel.96811296).
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Curso de Esquizoanálise e Esquizodrama em Uberaba
Olá, pessoal!
A Fátima (Caps Maria Boneca - Uberaba) está querendo saber quem tem interesse em participar do Curso de Esquizoanálise em Uberaba, provavelmente, a partir de março do ano que vem. Ainda não tem nada fechado e dependerá do número de pessoas interessadas (35 a 40). Mais informações sobre o Curso ela ainda enviará, mas a proposta deverá ser semelhante à de BH (duração de 24 meses - 15h mensais / sexta à noite e sábado o dia todo - valor: em torno de 350,00). Os interessados enviem um e-mail para sadairel@gmail.com .
Abraço,
Samara.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes
Serviço de Proteção Social a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, Abuso e Exploração Sexual e suas Famílias: referências para a atuação do psicólogo.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Curso: Prevenção ao Uso Indevido de Drogas - Capacitação Para Conselheiros Municipais
Estão abertas as pré-inscrições para o Curso "Prevenção ao Uso Indevido de Drogas - Capacitação para Conselheiros Municipais", que visa preparar 15 mil conselheiros de todo o Brasil para atuar na prevenção da violência e da criminalidade relacionadas ao uso indevido de drogas. O Curso é promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), da Presidência da República, em parceria com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI), do Ministério da Justiça e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O Curso é totalmente gratuito, oferecido na modalidade de ensino à distância, com carga horária de 120 horas, tem a duração de três meses e certificado de extensão universitária emitido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Poderão participar Conselheiros que atuam nos Conselhos: de Segurança; Sobre Drogas; Tutelar; dos Direitos da Criança e do Adolescente; da Educação; da Saúde; da Assistência Social; do Conselho Escolar; do Conselho da Juventude, do Idoso, do Trabalho, Populações Afrodescendentes, dentre outros. O conteúdo do Curso foi elaborado por especialistas da área e reúne informações atualizadas e convergentes com a Política Nacional sobre Drogas (PNAD), a Política Nacional sobre o Álcool (PNA) e o Sistema Único de Segurança Pública.
Acesse para fazer sua inscrição http://www.sead.ufsc.br/matricula/index.phpcourse=senad2
Atenciosamente,
Secretaria de Educação à Distância - SEaD - Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Acolhimento Com Avaliação e Classificação de Risco
O acolhimento é uma ação tecno-assistencial que pressupõe a mudança da relação profissional/usuário e sua rede social através de parâmetros técnicos, éticos, humanitários e de solidariedade, reconhecendo o usuário como sujeito e participante ativo no processo de produção da saúde. O acolhimento é um modo de operar os processos de trabalho em saúde de forma a atender a todos que procuram os serviços de saúde, ouvindo seus pedidos e assumindo no serviço uma postura capaz de acolher, escutar e pactuar respostas mais adequadas aos usuários. Implica prestar um atendimento com resolutividade e responsabilização, orientando, quando for o caso, o paciente e a família em relação a outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e estabelecendo articulações com esses serviços para garantir a eficácia desses encaminhamentos.
“Constatar os problemas de saúde e tomá-los como desafio não é suficiente para imprimir as mudanças que possam traduzir a saúde como direito e patrimônio público da sociedade” (MERHY et al, 1999).
É preciso restabelecer, no cotidiano, o princípio da universalidade do acesso – todos os cidadãos devem poder ter acesso aos serviços de saúde – e a responsabilização das instâncias públicas pela saúde dos indivíduos. Isto deve ser implementado com a conseqüente constituição de vínculos entre os profissionais e a população, empenhando-se na construção coletiva de estratégias que promovam mudanças nas práticas dos serviços, onde a defesa e afirmação de uma vida digna de ser vivida seja adotada como lema.
Tradicionalmente, a noção de acolhimento no campo da saúde tem sido identificada:
ora a uma dimensão espacial, que se traduz em recepção administrativa e ambiente confortável;
ora a uma ação de triagem administrativa e repasse de encaminhamentos para serviços especializados que afirma, na maior parte das vezes, uma prática de exclusão social, na medida em que “escolhe” quem deve ser atendido.
Ambas as noções têm sua importância, entretanto, quando tomadas isoladamente dos processos de trabalho em saúde, se restringem a uma ação pontual, isolada e descomprometida com os processos de responsabilização e produção de vínculo. Nesta definição tradicional de acolhimento, o objetivo principal é o repasse do problema tendo como foco a doença e o procedimento, e não o sujeito e suas necessidades. Desdobra-se daí a questão do acesso aos serviços que, de modo geral, é organizado burocraticamente a partir das filas por ordem de chegada, sem avaliação do potencial de risco, agravo ou grau de sofrimento. Este funcionamento demonstra a lógica perversa na qual grande parte dos serviços de saúde vem se apoiando para o desenvolvimento do trabalho cotidiano. Lógica essa, que tem produzido falta de estímulo dos profissionais, menor qualidade da capacitação técnica pela não inserção do conjunto de profissionais ligados à assistência, e não inclusão dos saberes que os usuários têm sobre sua saúde, seu corpo e seu grau de sofrimento. Acrescese a isso a não integração de diferentes setores e projetos e a não articulação com a rede de serviços no sistema de encaminhamento de usuários a serviços especializados, tornando o processo de trabalho solitário e fragmentado. O que vemos é que este modo de operar o cotidiano tem produzido sofrimento e baixa na qualidade de vida não só dos usuários, mas também dos profissionais de saúde. A reversão desse processo nos convoca ao desafio de construirmos alianças éticas com a produção da vida, onde o compromisso singular com os sujeitos, usuários e profissionais de saúde, esteja no centro desse processo. Essas alianças
com a produção da vida implicam um processo que estimula a co-responsabilização, um encarregar-se do outro, seja ele usuário ou profissional de saúde, como parte da minha vida. Trata-se, então, do incentivo à construção de redes de autonomia e compartilhamento onde “eu me reinvento inventando-me com o outro”.
O acolhimento como estratégia de interferência nos processos de trabalho
O acolhimento não é um espaço ou um local, mas uma postura ética, não pressupõe hora ou profissional específico para fazê-lo, implica compartilhamento de saberes, necessidades, possibilidades, angústias e invenções. Desse modo é que o diferenciamos de triagem, pois ele não se constitui como uma etapa do processo, mas como ação que deve ocorrer em todos os locais e momentos do serviço de saúde.
Colocar em ação o acolhimento como diretriz operacional requer uma nova atitude de mudança no fazer em saúde e implica:
protagonismo dos sujeitos envolvidos no processo de produção de saúde;
uma reorganização do serviço de saúde a partir da reflexão e problematização dos processos de trabalho, de modo a possibilitar a intervenção de toda a equipe multiprofissional encarregada da escuta e resolução dos problemas do usuário;
elaboração de projeto terapêutico individual e coletivo com horizontalização por linhas de cuidado;
mudanças estruturais na forma de gestão do serviço de saúde, ampliando os espaços democráticos de discussão/decisão, de escuta, trocas e decisões coletivas. A equipe neste processo pode, também, garantir acolhimento para seus profissionais e às dificuldades de seus componentes na acolhida à demanda da população;
uma postura de escuta e compromisso em dar respostas às necessidades de saúde trazidas pelo usuário, que inclua sua cultura, saberes e capacidade de avaliar riscos;
construir coletivamente propostas com a equipe local e com a rede de serviços e gerências centrais e distritais.
mudanças estruturais na forma de gestão do serviço de saúde, ampliando os espaços democráticos de discussão/decisão, de escuta, trocas e decisões coletivas. A equipe neste processo pode, também, garantir acolhimento para seus profissionais e às dificuldades de seus componentes na acolhida à demanda da população;
uma postura de escuta e compromisso em dar respostas às necessidades de saúde trazidas pelo usuário, que inclua sua cultura, saberes e capacidade de avaliar riscos;
construir coletivamente propostas com a equipe local e com a rede de serviços e gerências centrais e distritais.
Uma postura acolhedora implica em estar atento e poroso à diversidade cultural, racial e étnica. Vejamos aqui o caso de uma usuária de comunidade indígena que dá entrada numa unidade de saúde, e após o atendimento e realização do diagnóstico indica-se uma cirurgia (laparoscopia) urgente a ser realizada pelo umbigo. Após a comunicação do procedimento indicado, a usuária se recusa a realizá-lo dizendo não poder deixar que mexam no seu umbigo pois este é a fonte da onde brota a vida e onde a alma circula. Após a recusa várias negociações foram feitas de forma a realizar o procedimento cirúrgico levando em conta os valores e saberes desse grupo.
Acolher com a intenção de resolver os problemas de saúde das pessoas que procuram uma unidade de saúde pressupõe que todas as pessoas que procuram a unidade, por demanda espontânea, deverão ser acolhidas por profissional da equipe técnica. O profissional deve escutar a queixa, os medos e as expectativas; identificar riscos e vulnerabilidade, acolhendo também a avaliação do próprio usuário; e se responsabilizar para dar uma resposta pactuada ao problema, conjugando as necessidades imediatas dos usuários com o cardápio de ofertas do serviço, e produzindo um encaminhamento responsável e resolutivo à demanda não resolvida.
Nesse funcionamento, o acolhimento deixa de ser uma ação pontual e isolada dos processos de produção de saúde e se multiplica em inúmeras outras ações que, partindo do complexo encontro
do sujeito profissional de saúde e sujeito demandante, possibilitam analisar:
do sujeito profissional de saúde e sujeito demandante, possibilitam analisar:
a adequação da área física;
as formas de organização dos serviços de saúde;
a governabilidade das equipes locais;
a humanização das relações em serviço;
os modelos de gestão vigentes na unidade de saúde;
o ato da escuta e a produção de vínculo;
o compartilhamento do conhecimento;
o uso ou não de saberes para melhoria da qualidade das ações de saúde e o quanto estes saberes estão a favor da vida.
Apoio Matricial e a Lógica do "Necessário" Para Combater o Especialismo
Trouxe para cá, como post, o comentário que fiz na discussão de apoio matricial iniciada por Gustavo Tenório Cunha no seu blog na rede humanizasus.
Tenho trabalhado tentando pensar a tecnologia do apoio matricial como forma de desconstrução do "especialismo" - considerando este uma racionalidade que se nutre de saberes "especializados" para construir dependência (de instituições, de sujeitos e processos) e agir em uma forma de política coorporativa/privatizante.
Poderíamos pensar que os desafios cotidianos da produção de saúde e autonomia demandam saberes e práticas novas ou recriadas que possam ampliar a capacidade de análise e intervenção no mundo. E poderia ser, por esse mesmo motivo, que esses determinados saberes se tornam necessários - pois aumentariam nossa potência de existir. Teríamos então - com uma certa inspiração espinoseana - um regime ético que convoca os saberes "necessários" a serviço das forças da vida. Mas como essa ética pode nortear um arranjo de apoio matricial?
No cotidiano das práticas de saúde nos deparamos com dificuldades, tomadas por nós (gestores, trabalhadores, usuários, acadêmicos, pessoas...) como problema/desafio. Damos visibilidade e dizibilidade a esses problemas/desafios. O apoio matricial pode ser tomado como o arranjo organizacional que possibilita e autoriza que o "saber necessário" seja agenciado (acionando algo que já existe ou criando condições de criação de algo novo) pelos atores implicados para "resolver" a situação.
Tomar o apoio matricial nessa referência demonstra que o apoio matricial envolve questões mais além e aquém do que uma "fórmula" de reorganização da atenção "especializada".
Bom exemplo:
Já é bastante frequente o apoio matricial de saúde mental, no qual uma equipe de CAPS, ou de NASF, ou Regional de profissionais de saúde mental fazem apoio a serviços de Atenção Básica. Mas dificilmente se pensa que dentro dos CAPS, muitos usuários têm outros problemas de saúde que não o mental (DPOC, Hipertensão, Diabetes, etc) e estão sem acompanhamento regular ou mesmo sem acompanhamento nenhum destes problemas de saúde, porque estão em tratamento apenas nos CAPS. A lógica tradicional de pensar o sistema culpabilizaria a equipe de saúde da família do território de origem do paciente ou a equipe do CAPS que não vê além do problema de saúde mental. Sem pretender resolver de quem é a culpa... Poderiamos pensar, na lógica do apoio matricial, que a equipe do CAPS acionaria a equipe da Atenção Básica como aporte "necessário" ao processo terapêutico singular do seu usuário.
Todavia, isso força a desconstruir a visão de que o saber que vale é o "especializado" e que este está ligado sempre a uma mesma identidade de "especialista" na visão do especialismo.
Tenho trabalhado tentando pensar a tecnologia do apoio matricial como forma de desconstrução do "especialismo" - considerando este uma racionalidade que se nutre de saberes "especializados" para construir dependência (de instituições, de sujeitos e processos) e agir em uma forma de política coorporativa/privatizante.
Poderíamos pensar que os desafios cotidianos da produção de saúde e autonomia demandam saberes e práticas novas ou recriadas que possam ampliar a capacidade de análise e intervenção no mundo. E poderia ser, por esse mesmo motivo, que esses determinados saberes se tornam necessários - pois aumentariam nossa potência de existir. Teríamos então - com uma certa inspiração espinoseana - um regime ético que convoca os saberes "necessários" a serviço das forças da vida. Mas como essa ética pode nortear um arranjo de apoio matricial?
No cotidiano das práticas de saúde nos deparamos com dificuldades, tomadas por nós (gestores, trabalhadores, usuários, acadêmicos, pessoas...) como problema/desafio. Damos visibilidade e dizibilidade a esses problemas/desafios. O apoio matricial pode ser tomado como o arranjo organizacional que possibilita e autoriza que o "saber necessário" seja agenciado (acionando algo que já existe ou criando condições de criação de algo novo) pelos atores implicados para "resolver" a situação.
Tomar o apoio matricial nessa referência demonstra que o apoio matricial envolve questões mais além e aquém do que uma "fórmula" de reorganização da atenção "especializada".
Bom exemplo:
Já é bastante frequente o apoio matricial de saúde mental, no qual uma equipe de CAPS, ou de NASF, ou Regional de profissionais de saúde mental fazem apoio a serviços de Atenção Básica. Mas dificilmente se pensa que dentro dos CAPS, muitos usuários têm outros problemas de saúde que não o mental (DPOC, Hipertensão, Diabetes, etc) e estão sem acompanhamento regular ou mesmo sem acompanhamento nenhum destes problemas de saúde, porque estão em tratamento apenas nos CAPS. A lógica tradicional de pensar o sistema culpabilizaria a equipe de saúde da família do território de origem do paciente ou a equipe do CAPS que não vê além do problema de saúde mental. Sem pretender resolver de quem é a culpa... Poderiamos pensar, na lógica do apoio matricial, que a equipe do CAPS acionaria a equipe da Atenção Básica como aporte "necessário" ao processo terapêutico singular do seu usuário.
Todavia, isso força a desconstruir a visão de que o saber que vale é o "especializado" e que este está ligado sempre a uma mesma identidade de "especialista" na visão do especialismo.
Boa discussão sobre apoio matricial rolando na rede Humanizasus, veja os links abaixo:
Gustavo Nunes de Oliveira
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