Boa mistura!
Lava a alma e canta o samba na rua... Lugar onde todos andam... Lugar de todos, lugar comum... onde todos e tudo se misturam. Onde existe o ser e o não-ser; espaço de construção e espaço do vazio, do existir não existindo... Rua... território de manifestar o que se pensa, de não se calar...e sim cantar e dançar. Manifestar a vida e a experiência de “viver”, ocupa-la com alegria e com o encontro com a possibilidade de “ser”, com o sentido de “existir”, exercitando uma forma suave de dizer, sem precisar calar, através da sua diferença e de uma forma peculiar de estar, viver, permitir-se, implicar-se e afetar-se, possibilitando transformações. Compondo máquinas, dispositivos, devires propulsores de mais vida, cuidado e humanidade.
Grande espaço, para pequenas estórias e histórias, tão particulares e tão conhecidas... Repetições que são vividas isoladamente, mas que no conjunto, fazem sua diferença. E que diferença... de vida, vivida no canto das Marias, que são tantas... E no samba enredo de uma Maria que se fez Boneca... que se multiplica, nas Marias-loucas, nas Marias-mães, Marias-da-Penha, Marias-guerreiras, nas Marias-que–amam... E até nas filhas-de-Beja, Marias-Pirolas de Araxá, guerreiras-índias-trapezistas, que aos poucos se territorializam...
“Ó Maria, Ó Maria... /Doce flor do meu viver.../Vem, Maria,/Vem Maria; oiá.../Sem você não sei viver...” (Samba enredo do Carnaval da Inclusão)
Sintam-se os Josés aí representados, pois nessa festa e alegria sempre cabe mais um e mais muitos, pois é maior que coração de mãe, são Mães-Marias, em amplo e terno sentido. É território povoado pela possibilidade de ser, pelo respeito ao outro seja lá como ele for... Dentro de sua dor e alegria... Como diz o poeta-cantor, “... cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é...”, e é!
Assim, vamos nós devindo vida... Gratos pelos encontros com tantas Marias, exemplos de vida e superação, fazendo coro com as Marias e Josés, seja lá de onde eles são e para onde vão, basta sentirem-se afetados e entrarem nessa festa-alegria... Conhecendo e se re-conhecendo nas semelhanças e nas diferenças inerentes aos bons e potentes encontros.
Sempre cabe mais um... Basta desejar...
