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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Universidade Popular Juvenal Arduini - Estradear da Libertação





Sábado, dia de sol... Calor e amizade: um bom encontro, novos passos na caminhada da construção da Universidade Popular Juvenal Arduini... Aqui, um breve relato... Uma conversa para que possamos juntos desbravar novos horizontes e seguir adiante, passo a passo, visando o alvorecer, a utopia e a vida florescente da nossa conjunta invenção... Da nossa Upop-JA... Um projeto popular, um sonho de libertação... O espaço coletivo "Cuidado e produção de vida" desbravou planos, linhas, fluxos que emergem e brotam, que fecundam e vitalizam a produção de vida com o cuidado redefinido como vínculo, corresponsabilização e encargo, alegria e bom encontro; um novo cuidado que alenca as características do cuidado como amor, ternura vital, carícia essencial, justa medida, conviviabilidade, compaixão e solidariedade (Boff)... Descuido; exclusão... cuidado; inclusão... Vida que se vê reinventado e trabalhador que se reinventa no ato amoroso de cuidar, incluindo; de cuidar, libertando...O espaço coletivo "Arte e produção de vida" mergulhou e na arte encontrou a vida suprimida, pela exploração e pelo racionalismo cartesiano... Viu-se no horizonte da arte, a vida libertária, onde não há barreiras entre o agora e o porvir... entre o que pode um corpo e o que sonha um corpo... Surrealismo, vida como obra de arte, arte-militante na transversal da invenção de um novo mundo possível... Arte que cura,, porque subjetiva vida nova; arte que conhece novos mundos possíveis porque libera a potência da mudança... O espaço coletivo " Ecologia e produção de vida" desmistificou a ideia de culpa e resgatou uma compreensão de historicidade das problemáticas ecológicas atuais... Desnudou nas entranhas da ecologia seu vínculo com o desenvolvimento do capital e da acumulação perversa... As saídas se mostraram no protagonismos das coletividades que necessitam perguntar que meio ambiente queremos e que caminhos escolhemos para conviver com a natureza, não a objetivando como uma coisa alheia; mas se sentindo vida-natureza... Sustentabilidade; catástrofes foram tematizadas com espírito indagador; necessitamos de pensar a natureza nos coletivos perguntando que vida queremos...O espaço coletivo "Práticas sociais e produção de vida" trabalhou com um aguerrido e valoroso espírito militante de pensar o social, pensando conjuntamente o que fazer... Injustiça, exclusão, estigmatização... A realidade social envolve uma complexa problemática: da exploração capitalista à exclusão do diferente; das políticas públicas às ações instituintes dos que trabalham pela vida e pela libertação... Um espaço que centrou-se na construção de propostas que daria a tônica da plenária... Decisões da Plenária: manutenção das temáticas com preparação e participação coletiva - será postado neste blog um disparador sobre os diversos temas e todos iremos postar comentários, enriquecendo e dando maior amplitude aos diálogos criativos do próximo encontro.... Entrevistas com os coordenadores dos grupos deste encontro, visando democratizar e já ir aprofundando... Perguntas poderão ser enviadas para este blog e nós repassaremos, ou diretamente para os coordenadores: Arte - Jorge Bichuetti e Elisa Carvalho; Cuidado - Celso Macedo; Ecologia - Renato Muniz; e Práticas Sociais - Sumayra Oliveira - próximo encontro, repetição com aprofundamento das temáticas e coordenação coletivizada. Participação no Dia da Terra, 22 de Abril, no TEU- Cineclube na Upop-JA - próximo encontro Amacord - Fellini...- Cineclube na periferia - Local - Creche Comunitária Coração de Maria - filme para o bairro, sobre a problemática da dependência química... Dia 11 de Junho...- articulação de um Encontro de Blogueiros - próxima plenária deverá marcar data e construir a pauta do encontro...No final, tivemos alegria da participação do TEU... Poesia, reflexões... Próximo encontro, dia 14 de maio... às 13 h...Não consegui traduzir com o uso da palavra a alegria, a amizade e a vitalidade do que foi vivido... Nosso sonho vai se materializando e nos revelando o quanto aprendemos, crescemos e nos transformamos com estes momentos de trocas solidárias, de criatividade e invenção do novo... É a poesia viva da educação solidária... É o canto sem palavras do que pode a educação que se move pela alegria... É a semente que brilha e nos anuncia as cores do alvorecer... UNIVERSIDADE POPULAR JUVENAL ARDUINI UM SONHO COLETIVO, UM CAMINHO DE ALEGRIA, ARTE E VIDA... ESPERAMOS TAMBÉM VOCÊ... VAMOS REINVENTAR NOSSAS VIDAS...

Jorge Bichuetti



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A Perigosa Moda de Trabalhar com Grupos na Área da Saúde

As transformações socioeconômicas e tecnológicas atuais estão modificando profundamente a existência das pessoas, comunidades e organizações, o que tem exigido dos profissionais de saúde novas metodologias, além de tratamento, a promoção da saúde social.
A intervenção grupal nos últimos anos é desenvolvida nos vários níveis da área de saúde constituindo um dispositivo valioso seja com grupos terapêuticos, grupos de convivência, grupos comunitários, grupos de educação em saúde e outros. Grupos de idosos, adolescentes, pais, mulheres na menopausa, gestantes, casais, nutrizes, familiares, hipertensos, diabéticos, mastectomizadas, dependentes químicos, neuróticos etc.
Por paixão, surgimento de problemas ou para cumprir alguma encomenda, muitos profissionais de saúde, se organizam em torno de um tema cuja complexidade exige intervenções de diversas áreas, geralmente sem ouvirem a demanda real, desejo ou necessidades da clientela e implantam um determinado programa.
O que é preocupante é observar que raramente existe conhecimento a respeito das teorias e práticas grupais entre os que conduzem os grupos.
O grande perigo neste caso é de que uma prática potencialmente transformadora e democrática acabe sendo utilizada pelo profissional de saúde para controlar, abordar ou instruir um grupo de pessoas. Muitas vezes, o profissional acaba repetindo nos grupos a dinâmica da sociedade com atitudes autoritárias, alienantes, paternalistas ou assistencialistas. Assistencialismo não significa apenas doação de bens materiais. Mas, também, a assistência afetiva e emocional que sustenta relações de dominação, de sufocamento dos sentimentos dos usuários, que inviabiliza a sua capacidade de refletir sobre si mesmo, sobre o social e de transformar a realidade.
Em geral o profissional negando os saberes da população acredita que é superior e que seu saber é melhor porque é científico. Assim, o usuário é constrangido a ser platéia enquanto o profissional elevado a protagonista despeja intempestivamente informações desatualizadas, conselhos e orientações desnecessárias geralmente usando linguagem científica e o material de apoio de forma inadequada. Ou simplesmente formata uma programação engessada e quer metê-la goela abaixo dos usuários de saúde. Sem considerar as necessidades e o momento de vida daquele grupo. Tudo em nome de um trabalho organizado!
Nos grupos, há de um lado os participantes com sua história de vida, condição social, cultural, saberes, concepções, valores, sentimentos e desejos singulares e do outro o profissional de saúde.
Trata-se de um momento de dizer em que e o usuário e profissional se apresentam com marcas de seu viver e onde falas e gestos fazem parte de uma complexa comunicação em que os dois devem ser considerados.
Cada grupo é único e é imprevisível o que ocorrerá em cada encontro.
Num grupo democrático, os temas devem emergir do grupo. O coordenador interfere ajudando a desfazer as resistências dos participantes no tema, mostrando a sua compreensão a respeito das dificuldades que surgem, colocando em circulação as falas das pessoas, tirando do grupo o entendimento, as decisões e soluções para os problemas e conclusões, respeitando o conhecimento, as necessidades e a cultura de cada grupo.
A função do coordenador é facilitar, acolher e escutar os afetos, sentimentos, dúvidas, temores, sofrimentos e saberes dos participantes por mais estranhos que pareçam.
A maioria das atividades grupais é ineficaz pelo fato das capacitações tradicionais para os trabalhadores da saúde serem prescritivas, baseadas apenas na transmissão de conteúdo e no conhecimento especializado sem espaço para o diálogo e a troca de experiência. Tais modalidades grupais não passam de um “amontoado de pessoas para um atendimento por atacado”, vazio de significado para a vida das pessoas.
É preciso que o profissional avalie e reflita permanentemente sobre as práticas de intervenções grupais em saúde. Entenda e saiba lidar com as dinâmicas, relações e afetos produzidos nos grupos para saber escutar, intervir e informar adequadamente no momento oportuno.
Somente atuar de forma democrática, transdisciplinar, integrada e empática na comunidade, nas instituições públicas ou privadas fará com que os cidadãos possam se beneficiar da experiência do encontro.

Angela Maria Amâncio de Ávila - Psicóloga - CRP-04/2683
Especialista em Psicologia Social
Artigo publicado no Jornal Clarim de Araxá - junho 2007.