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segunda-feira, 26 de julho de 2010

, Saudade...


, Saudade...
Lua, estrelas, cachoeira, riacho
Boas recordações
Liberdade, proteção
Chuva, purificação
Renovação... prazer é alegria!
Era vaca, virou rato...
Fornece coisas boas...
Cresce e se forma, transforma
Tem necessidades e lembranças
Uma coisa vai construindo outras...
Sol e alface,
Sem sol nada cresce
Sem sol não se vê o dia,
Não se anda pelas ruas...
Sol é alegria
Sem alegria não se vê o dia,
Não se anda pelas ruas!
Alegria...
Harmonia é equilíbrio
Materializamos o que sentimos
Isso nos faz poetas,
Organizamos o que sentimos
Transfiro minhas asas de águia para o papel,
São multicolores
As asas da liberdade tem cores
Amor, é a energia que traz equilíbrio,
Amor é um mundo colorido
Me transformei de lagarta em borboleta
Rompi o casulo da matéria
Para um vôo de liberdade
Quando descobrir meu eu verdadeiro
Não terei mais o que descobrir
Não terei mais sentido...
Num riacho, no pantanal
O sol nasce na barraca de lona
Não sentia medo, nem de animal, nem de índio
Só simplicidade e respeito
Pouco se tinha, muito se vivia
Hoje tenho muito e sou pouco feliz
As poucas alegrias de hoje acalentam...
Difícil é explicar a saudade que se sente...
Minha cachorrinha, é carinho, confiança, amizade, alegria...
Isso me distrai
É pensar em brincadeira... parece prazer!
Não dá conta de resumir tudo...
O ser humano precisa aprender a escutar,
Chamam de louco!
O que se vive é real, para você
Pode não ser para eles... mas é bom!!
Depois que rompi o casulo
Nas asas da imaginação
Dentro do pensamento livre
Eu cheguei ao céu
Descobri o mundo verdadeiro
Que está dentro do meu coração...

Poesia elaborada como construção coletiva em OFICINA DE PENSAMENTOS LIVRES, pelos usuários do Ambulatório de Saúde Mental de Araxá, em 06/07/2010.
SAÚDE MENTAL


Saúde Mental é um termo usado para descrever a qualidade de vida emocional de uma pessoa; é estar bem consigo e com os outros; é aprender a lidar com as exigências da vida, com as emoções boas e as desagradáveis de forma produtiva e criativa.

Em Araxá, a Secretaria Municipal de Saúde, através do Serviço de Saúde Mental, vem desenvolvendo ações que visam a reinserção da pessoa com sofrimento mental em sua família e comunidade, resgatando qualidade de vida, participação social e cidadania.

Vários são os serviços oferecidos à população:
Grupos de Acolhimento: “porta de entrada” para os serviços; é o primeiro contato com a equipe de saúde mental, oportunizando uma escuta qualificada e direcionando a clientela com resolutividade e evitando “filas de espera”.

Grupos de Orientação Medicamentosa: atendimento realizado por uma equipe interdisciplinar oferecendo ao cliente outras referências de profissionais e de intervenção, além do médico psiquiatra e da medicação.

Psicoterapia para todas as faixas etárias, em grupo ou individual.

Acompanhamento por médicos psiquiatras, para todas as faixas etárias, em grupo ou individual, no Ambulatório de Saúde Mental e nas Unidades de Saúde

Visitas domiciliares e hospitalar,

Controle e aplicação de medicamentos injetáveis de uso contínuo,

Grupos de acompanhamento familiar

Atendimento ao usuário de álcool e outras drogas, em regime ambulatorial, no Ambulatório de Saúde Mental e nas Unidades de Saúde.

Intervenção em escolas públicas, em cuidado preventivo em saúde mental na comunidade.

Participação em grupos de gestantes e planejamento familiar, trabalho realizado em conjunto com as Equipes das Unidades de Saúde.

Internação e acompanhamento de usuários em crise, no Hospital Geral (Santa Casa de Misericórdia de Araxá).

Grupos de Convivência: espaço para encontros de vida entre as pessoas promovendo a troca de experiências e o resgate do convívio social.

Oficinas terapêuticas: são desenvolvidas atividades de expressão através do artesanato, da música, do teatro, do corpo, de filmes, de notícias, de cultura e arte.

Atividades culturais de lazer e mobilização social: passeios, comemorações de datas festivas (Luta Antimanicomial, Carnaval, Festa Junina, Dia Mundial da Saúde Mental) e de aniversariantes com a participação de usuários, trabalhadores, familiares e comunidade;

Assembléia Geral: participação de usuários, familiares, trabalhadores, e amigos da Saúde Mental. Acontece na última segunda-feira de cada mês, às 14:00 horas, no Pátio da Fundação Cultural Calmon Barreto.

Capacitação e qualificação para os diversos setores (Agentes de Saúde, Colaboradores da Santa Casa, Equipes de Saúde Mental e Atenção Primária em Saúde), tendo como foco o tema da Saúde Mental, Atendimento à crise, Clínica Grupal e Aleitamento Materno.

Apoio matricial da Equipe de Saúde Mental para as equipes de ESFs, como possibilidade de ampliação da rede de cuidados e parcerias intersetoriais, com foco no vínculo e na responsabilização compartilhada.

Reunião Clínica no Ambulatório de Saúde Mental semanalmente, aberta a todos os profissionais de Saúde Mental.

Reunião técnico-administrativa com a equipe de Saúde Mental, semanalmente, na Secretaria de Saúde, aberta aos demais profissionais da rede de saúde;

Reunião com Equipes de Saúde Mental das Unidades de Saúde.

A maioria das atividades acontece nas Unidades de Saúde e Ambulatório de Saúde Mental, onde cada pessoa coloca sua demanda pessoal. Através de uma escuta atenta, a equipe de Saúde Mental, percebe sua necessidade e faz as ofertas possíveis dentro do serviço e em outros setores e serviços da saúde e da comunidade.


EQUIPE DE SAÚDE MENTAL:

Coordenação: Camila Bahia Leite – Leonice Inês Wojcik

UNINORTE:
• Assistente Social: Sandra
• Psiquiatras: Jair e Marta
• Psicólogas: Cristiane, Érica, Laila, Maria Izabel

UNILESTE:
• Assistente Social: Heleide
• Psiquiatras: Jair e Marta
• Psicólogos: Francielle, Iara, Maria José, Márcia Andrade, Donaldo

UNISUL:
• Assistente Social: Ester
• Psiquiatra: Marta
• Psicólogas: Lourdes, Mônica, Simone

UNISA:
• Assistente Social: Rikelma
• Psiquiatra: Jair e Marta
• Psicólogas: Ana Carolina, Laila, Maria Izabel, Mônica e Vânia

AMBULATÓRIO ESPECIALIZADO DE SAÚDE MENTAL (POLICLÍNICA):
• Assistente Social: Zélia
• Psiquiatra: Marta
• Médico Clínico: Karina e Gislene
• Psicólogas: Francielle, Márcia Jardim, Terezinha, Patrícia, Iara e Cristiane
• Terapeuta Ocupacional: Priscila
• Enfermeiros: Leonice, Sander
• Técnicos de enfermagem: Ana Rita, Dalva, Maria do Carmo, Reginaldo
• Fisioterapeuta: Ana Lúcia
• Recepcionistas: Cláudia, Maria Cristina
• Auxiliar de serviços gerais: Alzira
• Motorista: Heider

--
Saúde Mental de Araxá
saudemental@araxá.mg.gov.br
(34)3691 7137
(34)3691 7138

sábado, 17 de julho de 2010

O Modelo de Reforma Psiquiátrica Brasileiro é Reforçado na IV Conferência Nacional de Saúde Mental

Participantes da IV CNSM decidem pela criação de grupos de ajuda mútua, ampliação da rede psicossocial e experiência obrigatória de recém-formados no SUS.
Nove anos depois de ser implementada, a Reforma Psiquiátrica brasileira ganhou novo fôlego após a realização da IV Conferência Nacional de Saúde Mental – Intersetorial (IV CNSM-I), em Brasília. As propostas aprovadas pelos participantes reforçam o modelo de serviço aberto e humanizado, adotado pelo Ministério da Saúde, para atender pessoas com transtornos mentais. Ao todo, 1.235 sugestões foram analisadas por mais de mil pessoas, entre especialistas, pacientes e familiares.
A criação de Grupos de Ajuda Mútua de Doentes Mentais foi uma das decisões de destaque. Inspirada em experiências internacionais bem-sucedidas, a proposta baseia-se em encontros de até 20 usuários do serviço de saúde mental para discutir sobre as adversidades do dia a dia e como enfrentá-las. Um projeto-piloto já foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e contou com financiamento do Ministério da Saúde. Foram repassados, neste ano, R$ 181 mil para a UFRJ promover as reuniões e capacitar os próprios pacientes a atuar como líderes das discussões.
Ao integrar um grupo de apoio, a pessoa com transtorno mental começa a estabelecer vínculos e fortalece as amizades. “Esse suporte emocional rompe com o autoisolamento do paciente e contribui com a reabilitação dele. É um dos dispositivos mais eficazes no acompanhamento contínuo de casos graves”, avalia o coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado.
AVANÇOS – A IV CNSM-I também aprovou a expansão da rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Hoje, são 1.541 em todo o País – o equivalente a 0,63 para cada grupo de 100 mil habitantes. A cobertura é considerada boa, de acordo com parâmetros internacionais. Agora, a meta será ampliar a quantidade de CAPS III, que funcionam 24 horas para acolher, inclusive, usuários em crise.
Os CAPS garantem um atendimento comunitário a pessoas que sofrem de problemas como esquizofrenia e transtornos de ansiedade ou de adaptação. O tratamento, que envolve o convívio familiar e a socialização do paciente, vem substituindo gradualmente o modelo manicomial, que implica o isolamento característico dos hospitais psiquiátricos. Essa mudança foi determinada pela Lei 10.216, de 2001. Por unanimidade, os delegados da conferência votaram a favor de uma proposta que impede a revisão dessa lei. “Todos os participantes rejeitam qualquer retrocesso que possa haver nas conquistas alcançadas pela Reforma Psiquiátrica. O nosso desafio é fortalecer a rede psicossocial e, para os casos de internação, aumentar os leitos psiquiátricos em hospitais gerais, que estão perto da comunidade”, sublinha o coordenador de Saúde Mental, Pedro Gabriel Delgado.
FORMAÇÃO – Uma das sugestões que deverão ser incluídas no relatório final conclusivo da IV CNSM-I é a de que recém-graduados em áreas relacionadas à saúde mental atuem na rede pública por um período pré-determinado. A proposta inclui brasileiros formados em instituições públicas e particulares. Eles poderão entrar em contato com os CAPS ou participar da atenção básica por meio das equipes da Estratégia Saúde da Família. “A intenção é aumentar a presença de psiquiatras, psicólogos e demais profissionais do setor em áreas como a Amazônia, onde o acesso ao serviço de saúde mental ainda não é o ideal”, explica Delgado. A prestação desse tipo de serviço no Sistema Único de Saúde (SUS) precisa ser regulamentada em conjunto pelos ministérios da Saúde e Educação.
Todos os itens aprovados na conferência vão constar do relatório conclusivo do evento. Esse documento deve balizar as novas ações que passarão a integrar a Política Nacional de Saúde Mental.

Diego Iraheta, da Agência Saúde

terça-feira, 29 de junho de 2010

Araxá recebe R$30.000,00 para estruturação do CAPS II





:: Resultado da consulta:::
Município-UF:
ARAXA/MG

Entidade:
FUNDO MUNICIPAL DE SAUDE DE ARAXA

CNPJ:
12.046.773/0001-98

População:
85.713

IBGE:
310400





                             Bloco:
 GESTÃO DO SUS
Componente:
 IMPLANTAÇÃO DE AÇÕES E SERVIÇOS DE SAÚDE
Ação/Serviço/Estratégia:
 CAPS II - INCENTIVO DEST. AO CUSTEIO DOS CENTROS DE AT. PSICOSSOCIAL
Competência
Número da OB
Data OB
Banco OB
Agência OB
Conta OB
Valor líquido
Desconto
Valor Total
Obs.
Processo
Tipo Repasse
    Parcela    
Nº Proposta
04/2010
25/06/2010
104
000973
0066240060
30.000,00
,00
30.000,00
 - 
25000093685201031
MUNICIPAL
















TOTAL
30.000,00
0,00
30.000,00
-
-
-
-
-


Valor líquido
Desconto
Valor Total
TOTAL GERAL
30.000,00
0,00
30.000,00

Id
Programa
Valor
1
CAPS II - INCENTIVO DEST. AO CUSTEIO DOS CENTROS DE AT. PSICOSSOCIAL
30.000,00
TOTAL
30.000,00

Já está depositada na conta do Fundo Municipal de Saúde de Araxá, a verba de incentivo de R$30.000,00 (PARCELA ÚNICA) para o custeio do CAPS II em Araxá. Esta verba deverá ser empregada na estruturação do Centro de Atenção Psicossocial e já tem destinação certa, conforme Projeto enviado ao Ministério da Saúde. A partir da data do depósito efetuado (25/06/2010), o poder público municipal terá 3 meses para inaugurar o CAPS II. Caso contrário, deverá devolver aos cofres da União a verba de R$30.000,00. Após a sua inauguração, o CAPS deverá continuar se adequando conforme legislação vigente, para ter o direito de solicitar junto ao Ministério da Saúde o seu credenciamento, aguardando a  disponibilidade orçamentária da União, para receber mensalmente uma verba destinada ao seu funcionamento. Agora caberá à comunidade araxaense fiscalizar o cumprimento dessas etapas e cobrar do poder público o direito de ter acesso a serviços de saúde mental de qualidade. Esperamos que não aconteça como no passado recente, quando o poder público municipal de Araxá dispensou uma verba de R$15.000,00 conquistada pelo município junto ao Governo Estadual, também destinada a estruturação do CAPS II. Todas as informações contidas aqui podem ser averiguadas junto às Coordenações Estadual e Nacional de Saúde Mental. Estamos de olho!!!
 

domingo, 6 de junho de 2010

O que é Reforma Psquiátrica

• É a ampla mudança do atendimento público em Saúde Mental, que garante o acesso da população aos serviços e o respeito a seus direitos e liberdade;
• É amparada pela lei 10.216/2001, conquista de uma luta social que durou 12 anos;
• Significa a mudança do modelo de tratamento: no lugar do isolamento, o convívio com a família e a comunidade;
• O atendimento é feito em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas, Ambulatórios, Hospitais Gerais, Centros de Convivência;
As internações, quando necessárias, são feitas em hospitais gerais ou nos Caps/24 horas. Os hospitais psiquiátricos de grande porte vão sendo progressivamente substituídos.

Política Nacional de Saúde Mental

O Governo brasileiro tem como objetivos:

- reduzir de forma pactuada e programada os leitos psiquiátricos de baixa qualidade,
- qualificar, expandir e fortalecer a rede extra-hospitalar formada pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e Unidades Psiquiátricas em Hospitais Gerais (UPHG),
- incluir as ações da saúde mental na atenção básica,
- implementar uma política de atenção integral voltada a usuários de álcool e outras drogas,
- implantar o programa "De Volta Para Casa",
- manter um programa permanente de formação de recursos humanos para reforma psiquiátrica,
- promover direitos de usuários e familiares incentivando a participação no cuidado,
- garantir tratamento digno e de qualidade ao louco infrator (superar o modelo de assistência centrado no Manicômio Judiciário),
- avaliar continuamente todos os hospitais psiquiátricos por meio do Programa Nacional de Avaliação dos Serviços Hospitalares - PNASH/ Psiquiatria.

Cenário atual

• Tendência de reversão do modelo hospitalar para uma ampliação significativa da rede extra-hospitalar, de base comunitária;
• Entendimento das questões de álcool e outras drogas como problema de saúde pública e como prioridade no atual governo;
• Ratificação das diretrizes do SUS pela Lei Federal 10.216/01 e III Conferência Nacional de Saúde Mental.

Dados importantes

• 3% da população geral sofre com transtornos mentais severos e persistentes;
• mais de 6% da população apresenta transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool e outras drogas;
• 12% da população necessita de algum atendimento em saúde mental, seja ele contínuo ou eventual;
2,3% do orçamento anual do SUS é destinado para a Saúde Mental (abaixo do necessário).

Desafios

• Fortalecer políticas de saúde voltadas para grupos de pessoas com transtornos mentais de alta prevalência e baixa cobertura assistencial;
• Consolidar e ampliar uma rede de atenção de base comunitária e territorial promotora da reintegração social e da cidadania;
• Implementar uma política de saúde mental eficaz no atendimento às pessoas que sofrem com a crise social, a violência e desemprego;
Aumentar recursos do orçamento anual do SUS para a Saúde Mental.

Coordenação Nacional de Saúde Mental
Ministério da Saúde

Grupo de trabalho sobre o crack se reúne e propõe novas diretrizes para tratamento

A criação de Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSAd3 – 24 horas) com leitos masculinos e femininos, casas de passagem e pontos de acolhimento é uma das propostas do documento elaborado pelo grupo de trabalho do crack, liderado pela Area Técnica de Saúde Mental, da Secretaria de Atenção à Saúde.

O grupo formado por pesquisadores, coordenadores de CAPS, redutores de danos, profissionais que trabalham nos consultórios de rua, se reuniu na última terça-feira, dia 23 de março, no Ministério da Saúde. O acolhimento aos dependentes do crack foi o enfoque da primeira reunião, que consolidará propostas de ações para aperfeiçoar o atendimento aos usuários e a prevenção do uso de drogas. O texto final irá para consulta pública em um mês.

“A proposta dos CAPS-AD3 com leitos é ampliar os recursos necessários na rede para que possamos dar aos usuários de crack um cuidado contínuo, 24 horas por dia. Os espaços de acolhimento para usuários serão dispositivos para nos aproximar de uma população que não acessa os sistemas de atenção à saúde. A instituição aberta seria mais um local para que ele se sinta recebido, para tomar banho, descansar, enfim, que ele se torne um cidadão visível”, afirma o consultor da área técnica, Marcelo Kimati.

Para a pesquisadora da Aliança de Redução de Danos, Luana Malheiro, que fez um estudo qualitativo com usuários “o crack acaba sendo um detalhe dentro de uma série de históricos de ruptura e abandono”. Ela conta que em seu estudo foi possível identificar uma diferenciação entre os usuários que conseguem controlar o uso e os “sacizeiros”- denominação utilizada para os que não conseguem.

Essa diferença, entre usuários que conseguem ou não controlar o uso, também deverá ser levada em conta durante o tratamento, conforme as discussões do grupo de trabalho. A rede deverá se articular de forma diferenciada para atender esses dois perfis distintamente, sendo que a rede de atenção estará focada naqueles com uso descontrolado. Atualmente, os usuários de crack são tratados da mesma forma, independente de grau de dependência, vulnerabilidade e gênero.

A rede do Sistema Único de Saúde (SUS) que atende os usuários da droga conta com diversos tipos de unidades de atendimentos: são 1467 CAPS (I, II, III e AD), 30% dos profissionais dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família trabalhando com saúde mental, 14 projetos de redução de danos; além de, nos casos mais graves, 10% dos leitos de todos os Hospitais Gerais, todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (SAMU).

A pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Solange Nappo, aponta que um dos problemas a serem enfrentados no tratamento é o momento que o usuário vai buscar ajuda. “Muitas vezes o usuário só busca quando está próximo à morte, quando o caso já é grave”, conta a cientista, que orientou diversas teses sobre o assunto. Para buscar esses pacientes usuários nas bocas de fumo, o Ministério lançou o edital de consultórios de rua. Foram investidos R$ 700 mil nessa iniciativa, que está sendo levada adiante por 14 municípios.

Em Campinas, uma experiência na antiga rodoviária com usuários do crack tem conseguido aumentar a adesão dos pacientes. Um grupo de 13 pessoas que frequentavam o local está sendo acompanhado pelo CAPsAD do município. “O importante é acolher essas pessoas, porque elas vão ao centro e depois que melhoram não voltam”, conta Sander Albuquerque, coordenador da entidade na cidade.

Além da adesão e do acolhimento, outro foco da discussão foi a formação dos profissionais de saúde. O Ministério da Saúde deverá promover cursos de capacitação, com auxílio da Universidade Aberta do SUS (Unasus). Para Marco Manso, da Aliança de Redução de Danos, esse trabalho deverá ressaltar a importância de humanizar o atendimento “Muitas vezes os médicos não querem atender os pacientes”.

Coordenação Nacional de Saúde Mental
Ministério da Saúde

Área Técnica de Saúde Mental amplia perfil de ações para atender à população da rua e aos usuários de drogas

Trinta e cinco serviços na área de Saúde Mental, entre Centros de Atenção Psicossocial - CAPSAD (17), CAPSi (11), CAPS III (7) foram inaugurados desde 2009, quando foi lançado o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e Outras Drogas (PEAD) pela Secretaria de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde.

Além disso, três editais foram lançados para reforçar ações diferenciadas ligadas à dependência de drogas: um de Redução de Danos, em parceria com o programa de AIDS para apoiar 24 projetos, um edital de Consultórios de Rua, que resultou num investimento de R$ 700 mil e apoiou 14 projetos e uma pesquisa sobre Usuários de Crack, que ficará pronta em 2010. O balanço com as ações de 2009 foi apresentado durante a XI Reunião do Colegiado de Coordenadores de Saúde Mental de todo o país, que aconteceu nos dias 11 e 12 de março, em Brasília.

"Com, o tempo, o perfil das ações da Saúde Mental vem se modificando. Percebemos que o modelo tradicional não funciona para o paciente dependente, pois muitas vezes são populações vulneráveis que não estão acostumadas a buscar um serviço de saúde", afirma o coordenador de Saúde Mental, da Secretaria de Atenção à Saúde, Pedro Gabriel Delgado.

Para o consultor do Ministério da Saúde, Luciano Elia, este é um questionamento a ser feito pelos próprios serviços. "É preciso parar de pensar por que o usuário não vai à rede e começar a segui-lo, no seu próprio circuito", propôs, durante a reunião de colegiado.

Essa medida, além de ampliar o acesso do usuário de drogas aos serviços de saúde, pode também colaborar para aumentar a adesão ao tratamento, que hoje é difícil. Em São Paulo, a coordenadora Rosana Dias conta que na região central da capital existem 11 mil moradores de rua - nas áreas da Luz, Sé e República - que recebem algum tipo de atendimento em Saúde. "A região possui três unidades básicas de saúde, três ambulatórios dois CAPS, sendo um deles CAPS-AD. São mais de 60 mil abordagens e 1.500 pessoas que recebem algum tratamento em saúde, mas a população entra e sai e não adere", conta Rosana.

A adesão pode ainda ficar prejudicada, já que os usuários de drogas contam apenas com o horário comercial para serem atendidos nos CAPS. Para Eraldo do Nascimento, de Carapicuíba, uma saída seria a mudança nos horários. "Um serviço que vai acolher o usuário de drogas tem que abrir outros horários, não pode abrir só pela manhã e à tarde", criticou. O incentivo à criação de mais CAPs AD de 24 horas foi uma das principais decisões do Colegiado.

O coordenador de saúde mental do Ceará, Marcelo Brandt, diz que a estreita articulação entre os CAPS AD e a Atenção Básica tem contribuído para ampliar a adesão ao tratamento.

NASF - A Área Técnica de Saúde Mental inovou também suas ações ao aumentar sua inserção na atenção básica. Dados do Departamento de Atenção Básica revelam que 85% dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs) têm psicólogos como profissionais. "Essa é a segunda categoria profissional mais prevalente nos NASF, isso pode indicar que eles já recebem algum atendimento em Saúde Mental", comenta Francisco Cordeiro, consultor do Ministério da Saúde.

A intersetorialidade das ações também traz à tona a definição das atribuições de responsabilidades. A saúde é apenas um dos setores que pode auxiliar no problema da drogadição, mas há muitas áreas que têm interface com a questão. São elas trabalho, educação, cultura, assistência social. O Ministério da Saúde já fomenta 393 iniciativas de geração de trabalho e renda, em cooperação com o Ministério do Trabalho, por meio do Programa Nacional de Saúde Metal e Economia Solidária.

Coordenação Nacional de Saúde Mental
Ministério da Saúde

domingo, 16 de maio de 2010

Sem Receitas Para Pais e Educadores - Lançamento do Livro

Aconteceu ontem, dia 16 de maio, na Bienal do Livro de Minas, em Belo Horizonte, o lançamento do livro "Sem Receitas Para Pais e Educadores," da amiga e companheira Angela Maria Amâncio de Ávila. Há previsão para que o lançamento também aconteça em São Paulo, Uberlândia e Araxá. Este é o segundo livro escrito por ela. O primeiro foi Socorro Doutor: Atrás da Barriga Tem Gente!, que em breve será relançado  devidamente atualizado. Ambos são contribuições valiosas, resultados de anos de muita dedicação aos estudos, à prática profissional e sobretudo do comprometimento e do amor a essa causa. Somos privilegiados por tê-la ao nosso lado, sempre compartilhando generosamente o seu conhecimento com todos, e por onde ela passa. Nossas felicitações!
Abraço,
Samara.

terça-feira, 27 de abril de 2010

CAPS II em Araxá

Prezada Patrícia,

O Projeto para implantação do CAPS II de Araxá está aprovado para a liberação do recurso. Estamos aguardando a disponibilidade de uma lista de projetos na mesma situação para a liberação nos próximos 40 dias, aproximadamente.

Esse ano essa será a primeira liberação de recurso para incentivo. O Ministério da Saúde ficou os primeiros meses do ano com indisponibilidade financeira, por isso a conclusão de alguns processos atrasou um pouco.

Informaremos assim que eles forem liberados.

Atenciosamente,

RÚBIA CERQUEIRA PERSEQUINI CUNHA
Área Técnica de Saúde Mental
Bloco "G" Edifício Sede 6° Andar Sala 603
Esplanada dos Ministérios
Brasília -DF
Telefone: (61) 3315-2313
E-mail:rubia.persequini@saude.gov.br

terça-feira, 9 de março de 2010

Residência Multiprofissional em Saúde Mental da ESP-MG: a primeira em Minas!

O projeto da ESP-MG foi aprovado pela Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, e pela Secretaria de Educação Superior do Ministério de Educação, segundo portaria conjunta publicada no Diário Oficial da União, de 25 de fevereiro último.
O Projeto de Residência Multiprofissional em Saúde Mental da ESP-MG, em parceria com o município de Betim, prevê 8 bolsas para residentes, das áreas de Psicologia, Enfermagem, Serviço Social e Terapia Ocupacional. Os residentes desenvolverão suas atividades teóricas em 12 horas na ESP-MG, tendo por tutores profissionais do Grupo de Produção Temática em Saúde Mental da instituição; e 48 horas das atividades práticas serão realizadas nos diferentes pontos da rede de atenção à Saúde Mental de Betim, acompanhadas por preceptores da própria rede.
As atividades teóricas consistem em seminários segundo três eixos temáticos - Psicopatologia, Construção de redes em Saúde Mental, e Aspectos históricos e antropológicos em Saúde Mental, supervisões e reuniões clínico-institucionais. Em Betim, atuarão nos CERSAMs, ou CAPS, incluindo plantão semanal de 12 horas; na atenção básica, no centro de convivência e nas moradias protegidas, de forma a garantir sua passagem pelas diferentes linhas de cuidado oferecidas pela rede.
Tendo recebido a boa notícia da homolação do projeto, a ESP-MG dá início ao processo de elaboração do edital, e, simultaneamente, efetua os passos necessários para o credenciamento do projeto.
O leitor encontrará em breve, no Espaço Saúde Mental, novas notícias referentes ao assunto.

O link para o Espaço Saúde Mental-ESP, encontra-se neste Blog, no alto, ao lado esquerdo.
Abraço,
Samara.

segunda-feira, 8 de março de 2010

MATERNAR e Vera Cruz

Oi pessoal,

Quem entrar nos ônibus da Vera Cruz em Araxá, certamente poderá apreciar e aprender um pouco das dicas de amamentação, selecionadas pela nossa incansável companheira e militante da causa, Angela de Ávila.
Idealizadora do Projeto Maternar, ela agora nos brinda com esta excelente idéia: levar aos 18.000 passageiros/dia, informações e dicas sobre a amamentação.

Esta iniciativa, aliada a outras ações, darão a Vera Cruz o selo de EMPRESA AMIGA DA AMAMENTAÇÃO. Este selo está sendo criado e em breve iremos entregá-lo a esta e a outras empresas também.

Abraços,

Patrícia Rachid
Coordenação Municipal de Saúde mental

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Convite - REDE SOCIAL DE AMAMENTAÇÃO DE ARAXÁ E MICRORREGIÃO

Araxá, 09 de novembro de 2009

Assunto: Convite para a reunião de sensibilização para a participação da REDE SOCIAL DE AMAMENTAÇÃO DE ARAXÁ E MICRORREGIÃO

Em cumprimento às recomendações da OMS/UNICEF e Ministério da Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde de Araxá através do projeto MATERNAR convida para a reunião da implantação da REDE SOCIAL DE AMAMENTAÇÃO DE ARAXÁ E MICRORREGIÃO.
O Projeto MATERNAR que tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida familiar, propõe a mobilização de toda a sociedade no sentido de resgatar a prática da amamentação. Na reunião, será proposta a Capacitação de Agentes do Aleitamento Materno visando à prevenção do desmame precoce e a redução da morbi-mortalidade infantil na região. Assim sendo, os municípios estariam implementando uma iniciativa de promoção de saúde, inclusão social e desenvolvimento comunitário.
Público alvo: Gestores de Saúde, Secretaria Municipal de Educação e do Desenvolvimento Humano, Cultura e Meio Ambiente, Coordenadores dos Departamentos e Setores das respectivas Secretarias, Supervisores das Unidades de Saúde, Representantes dos Hospitais e Maternidades, Coordenadores da Estratégia de Saúde da Família, Representante da Vigilância Sanitária, Ministério Público, Conselhos Tutelares, Participantes do Projeto MATERNAR, UNIARAXÁ, Conselho Municipal de Saúde, Bancos de Leite Humano, Representantes do Comitê de Prevenção da Mortalidade Materno-Fetal e Neonatal, Coordenadores de Programas de Atenção Integral à Criança e à Mulher, Agentes Comunitários, SISVAN, Agentes das Pastorais, Centros Espíritas e outras igrejas, Sociedade de Medicina de Araxá, Pediatras e Obstetras.

Data: 17/11/09
Horário: 16 horas
Local: AMPLA - Rua Américo Autran-300 Araxá MG

Atenciosamente,
Secretaria Municipal de Saúde de Araxá

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Rede de Saúde Mental e ECOSOL: a construção de uma rede de colaboração solidária

O presente texto busca fazer uma reflexão acerca da construção da Rede de Saúde Mental e Economia Solidária, mas não num sentido de enumerar suas realizações, e sim dar relevo a estratégia de construção de redes de colaboração solidárias destacando a importância de reafirmar um dos principais referenciais para a construção do processo da Reforma Psiquiátrica brasileira: a estratégia de Rede.
A Rede de Saúde Mental e Economia Solidária surge, primeiramente, como dispositivo que aponta a falência do manicômio, ao mesmo tempo em que tece possibilidades reais de contrapor a lógica de exclusão sócio-econômica tentando resgatar o fazer, os desejos e os transbordamentos daqueles que se propõem a dar algum sentido à loucura.
Esta Rede é resultado de um conjunto de atividades organizadas entre a Saúde Mental e a Economia Solidária1.
Aqui busca-se afirmar o conceito de Rede tão presente no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira, como em todo o processo de construção desse novo ator social, que é a Economia Solidária.

A Saúde e sua organização em Rede

Na lógica da territorialização, os serviços de saúde mental não são voltados a tratar a doença, mas se configuram como dispositivos de promoção de saúde, de espaço de criação e desenvolvimento de sociabilidades e o cuidado oferecido mostra-se como porto seguro para o indivíduo e sua comunidade.
A implementação desses equipamentos não pode ser realizada a partir de territórios isolados uns dos outros, sendo necessário toda uma estratégia de conexão dos mesmos, tendo não mais o hospital (psiquiátrico ou não) como seu principal paradigma mas, uma complexa rede de inter-relação onde desde a unidade básica de saúde, da visita domiciliar do PSF, passando pelos CAPS e os hospitais gerais, tece-se uma grande teia voltada ao atendimento público e gratuito e que promove saúde e qualidade de vida.
Sendo assim, o processo de implementação e fortalecimento da Reforma Psiquiátrica não pode ser entendido como um processo que um dia vai ser definitivamente implementado. Mas, pelo contrário, a construção da RP é um processo coletivo que sempre necessitará de aperfeiçoamento e de melhoras, já que o mesmo deve estar aberto a sua própria superação, pois é fundado sobre a estratégia de Rede.
É importante salientar que o atual processo de passagem da gestão do SUS para as mãos da iniciativa privada (as chamadas Organizações Sociais - OS`s) é um processo arriscado e perigoso, pois ataca frontalmente a integralidade do sistema e de sua estratégia de construção de uma Rede pública de promoção de saúde e de cuidado. A "terceirização" da saúde, como alguns preferem chamar, é uma das maiores ameaças ao Sistema Público e gratuito de saúde (conquista dos trabalhadores e usuários) e que virou referência internacional de universalidade das ações de saúde2.
A entrega dos equipamentos de saúde mental às organizações sociais, entre outras desvantagens, dificulta o trabalho organizado em Rede, já que os equipamentos podem ser geridos por O.S`s diferentes dependendo dos critéiros elegidos pela administração municipal. A lógica de funcionamento das O.S`s não prioriza o diálogo entre os equipamentos e o trabalho conjunto baseado na parceria; o que impera na lógica de funcionamento é a do mercado, que não permite colaboração ou solidariedade entre os equipamentos, mas acirra a competição e promove o isolamento.

Inserção no Trabalho e Saúde Mental: Porque a estratégia em Rede?

Ao falar em Rede falamos essencialmente de diversidade e de potencialização de uma sinergia coletiva; um processo aberto e de construção de enunciações coletivas. As redes são espaços abertos ao diálogo e a troca onde cada membro, cada parte só se fortalece a partir de um processo mesmo de fortalecimento do coletivo3 ali envolvido. A consistência da rede assim se constrói através de relações, de fluxos, de pulsões que se realiza na colaboração, em seu processo mesmo de diversidade. Quanto mais diversidade, mais forte se faz uma Rede. Um movimento que não se funda no salto qualitativo da dialética, mas sim, num processo mesmo rizomático, onde o que vale, são as interrelações e seus fluxos.
Esse processo de organização da inserção no trabalho dos usuários da saúde mental através da organização da Rede vem reforçar todo um processo de organização de coletivos (projetos/ empreendimentos) de produção de conhecimentos, saberes, trabalho e cultura que já se operam nos equipamentos de saúde mental da rede pública de saúde.

A escolha na relação entre saúde mental e economia solidária de construção de uma Rede, vem primeiramente afirmar que:

a) são movimentos com histórias, dinâmicas e tempos diversos;

b) tem atores, movimentos, estratégias que se inter-relacionam/ trocam;

c) tem assim, em seu interior, singularidades que não concorrem, mas sim, que buscam a criação de espaços que possibilitem criar enunciações coletivas.

Assim, a construção de uma Rede se associa a idéia de não cairmos nos diversos erros já vistos no conjunto do movimento social e que ainda é a forma organizativa hegemônica: a de construção de "direções" que se mantém independente do processo vivo de mobilização e militância. Não caindo nesse processo tão danoso (e infelizmente, tão presente) de criação de personalidades que representam o movimento social e que gera automaticamente um "culto a personalidade", a estratégia em Rede se torna uma tentativa de construção de movimentos sociais formados por diferentes (e não por iguais) que buscam não a construção de estruturas verticais ou direções, mas um processo vivo onde quem está presente - quem produz, vive e constrói a Rede - é quem dá seu sentido e direção.

A Rede assim constitui-se através das dimensões ética, estética e política.

Politica: as redes de colaboração solidária constituem-se através de uma gestão autogestionária garantindo a todas as pessoas iguais condições de participar e decidir. Buscando dar visibilidade e ampliando as conquistas de políticas públicas emancipatórias que visam o apoio, fomento e a articulação de novas cadeias produtivas solidárias, que valorizem a diversidade de atores e processos, em especial, os segmentos sociais que foram históricamente "invisibilizados".

Ética: as redes de colaboração solidária promovem a diversidade, o compromisso pela qualidade de vida de todos e todas, o desejo do outro em sua valiosa diferença, para que cada pessoa ou coletivo possa usufruir nas melhores condições possíveis, das liberdades públicas e privadas. Desejar o diferente significa acolher a diversidade, em suma, acolher as mais variadas formas de realização singular da liberdade humana que não neguem as liberdades públicas e privadas eticamente exercidas. Promover as liberdades significa garantir às pessoas as condições materiais, políticas, informativas e educativas para uma existência ética e solidária.

Estética: porque a Rede constrói plasticidades, efeitos, atividades, enunciados que se formam no coletivo. Expressando, a combinação de cores, acordes, sentidos das diversas singularidades manifestas nos projetos/ empreendimentos e nos usuários envolvidos.

A força da Rede de Saúde Mental e Ecosol reside nos diversos projetos/empreendimentos de trabalho que tenham como protagonistas os usuários de saúde mental que dela fazem parte e nesse sentido busca ser um espaço vivo de encontro e trocas. Nesse espaço não é o transtorno mental ou a dificuldade derivada do sofrimento que é evidenciada, mas sim a beleza das produções. E são tantas...bolsas, artesanato, quadros, poesia, música, dança, samba, etc.
Nesse processo os tempos dos projetos/ empreendimentos se chocam, pois alguns já estão em um momento mais avançado na inserção econômica e social. A impaciência de alguns, a tentativa de agir sozinho e de avançar sem os outros torna-se a grande tentação. A idéia de que um projeto é melhor que o restante é sempre um grande perigo e pode levar à morte uma Rede de colaboração solidária. Nesse sentido, a paciência, o respeito às temporalidades e as diferenças e a criação de enunciações coletivas são os principais pilares para a construção de uma Rede.
Nesse sentido, a Rede de Saúde Mental e Economia Solidária se configura como um espaço nômade, capaz de expressar em sua diversidade as singularidades de temporalidades diversas, que podem sim, conectar-se no objetivo comum que é inserir no campo do trabalho os usuários da saúde mental. A Rede pode ser entendida como um espaço, um coletivo, do que é produzido dentro dos equipamentos de saúde, já que o projeto de geração de trabalho e renda daquele serviço que participa da Rede é resultado da clínica emancipadora praticada, pois o técnico da saúde mental que preza pela autonomia e emancipação do sujeito que é usuário criará tecnologias e coletivos que darão conta da questão do trabalho do usuário.

As principais características de nossa Rede são:

a) organizar uma diversidade de projetos/ empreendimentos em um movimento orgânico com potencial transformador;

b) buscar saídas coletivas desses projetos por trabalho, renda e pela afirmação e fortalecimento de suas singularidades

c) são em sua própria dinâmica a negação das estruturas de exploração do trabalho, de expropriação no consumo e de dominação política e cultural, e

d) criam em sua diversidade novas formas pós-capitalista de produzir e consumir, de organizar a vida coletiva afirmando o direito à diferença e à singularidade de cada projeto/ empreendimento;

A título de conclusão o objetivo básico da Rede de Saúde Mental e Economia Solidária é construir de maneira solidária e ecológica novas cadeias produtivas, que tenham em seu interior a potência de agir, o afecto fundado no coletivo. Fazendo, dos projetos/ empreendimentos de trabalho da saúde mental um agente econômico, social, político e estético fundados na criação e no potencial produtivo dos usuários de saúde mental.

Notas:

1. No ano de 2008, duas atividades de discussão e formação entre atores da Reforma Psiquiátrica marcaram a agenda desses encontros: as atividades contaram com a presença do Prof. Dr. Valmor Schiochet, do Núcleo de Programas Sociais da Superintendência Regional do Trabalho-SP, além do Fórum Paulista de ECOSOL. As atividades ocorreram no Programa de Pós Graduação de Enfermagem - USP e no CAPS Itaim Bibi. A partir, dessas atividades a Rede começou a se reunir de 15 em 15 dias, e posteriormente mensalmente, realizando: a) formação de 58 multiplicadores em Saúde Mental e ECOSOL e a I Feira de Saúde Mental e ECOSOL, na Escola de Enfermagem da USP. Mais recentemente, a Rede organizou um ônibus, com apoio do CRP-SP e do SINPSI, para a Marcha dos Usuários, participando e entregando suas reivindicações em uma Audiência com o Prof. Paul Singer (SENAES/MTE). Em breve, ocorrerá a II Feira de Saúde Mental e ECOSOL, na cidade de Embú das Artes.

2. Benedetto Saraceno, da Organização Mundial de Saúde, em visita ao Brasil, em 2009, realizando diversas Conferências e reuniões com o Ministério da Saúde afirmou que: "Fortalecer a Reforma Psiquiátrica brasileira é fortalecer a OMS",
ver na página: http://www.projetosterapeuticos.com.br/www.saudeecosol.wordpress.com.

3. Entendido esses coletivos, como aponta Jean Oury, no livro, O Coletivo. Ed. Hucitec, 2009: "Pode-se então, de maneira metodológica, considerar, mas muito provisoriamente, a palavra "Coletivo" como um tipo de "caixa preta"(cf. A lógica das caixas pretas), tentando a princípio, ver o que sai, quais são os efeitos, quais são os efeitos desejados. Seria o trabalho de cada um fazer uma lista - jamais exaustiva - do que é desejado".

Leonardo Penafiel Pinho e Marilia Capponi
www.projetosterapeuticos.com.br

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar - IBFAN

A IBFAN oferece capacitações sobre alimentação infantil para equipes de saúde. Conheçam nossas propostas e os custos para realização do curso em seu hospital ou município. Acesse o link abaixo:

http://www.ibfan.org.br/cursos/index.php

sábado, 1 de agosto de 2009

Espaço Virtual Saúde Mental

A Escola de Saúde Publica de MG, através do GPT/Saúde Mental convida a todos para o lançamento do ESPAÇO VIRTUAL SAÚDE MENTAL. Esta é uma importante atividade para favorecer a comunicação e o debate entre todos os interessados em Saúde Mental - trabalhadores, usuários, familiares, gestores e estudantes. O Espaço Virtual será lançado oficialmente no dia 11 de agosto de 2009, com a participação do Dr. Pedro Gabriel Godinho Delgado, Coordenador Nacional de Saúde Mental. Na oportunidade, Dr. Pedro Gabriel participará de uma RODA DE CONVERSA, com o tema: "Políticas de Formação em Saúde Mental: Propostas e Perspectivas".
DATA: 11.08.09
HORÁRIO: 19h às 21h
LOCAL: Escola de Saúde Pública - ESP/MG
Lourdes Machado
GPT Saúde Mental
Secretaria de Estado da Saúde

Lançamento do Projeto MATERNAR

Por ocasião da Comemoração da Semana Mundial do Aleitamento Materno, será lançado oficialmente o Projeto MATERNAR, no dia 06 de agosto. O Projeto é uma ação do Setor de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Araxá, e iniciou com a implantação do Programa GESTAR. Nele foi ministrado o Curso de Educação Continuada - O Trabalho Com Gestantes e Família Grávida que dá ênfase ao trabalho grupal, transdisciplinar integrado e integral, já que são essenciais as primeiras relações afetivas cuidador-criança, não só para a sobrevivência infantil, como também para o seu desenvolvimento e estruturação psíquica saudáveis. Trabalhadores de várias áreas da rede pública de saúde participaram desta primeira ação.
Horário: 17h
Local: Memorial de Araxá (esquina ao lado do Banco Itaú)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Projeto de Formação em Terapia Comunitária

1. Resumo do Projeto
O Projeto de Implantação da Terapia Comunitária na Rede de Assistência à Saúde do SUS pretende desenvolver nos profissionais da área da saúde e lideranças comunitárias, por meios de módulos teóricos e práticos, as competências necessárias para promover as redes de apoio social na atenção primária da saúde. A proposta prevê a capacitação dos profissionais da rede básica no sentido de prepará-los para lidar com os sofrimentos e demandas psicossociais, de forma a ampliar a resolutividade desse nível de atenção.
A Terapia Comunitária é um instrumento que permite construir redes sociais solidárias de promoção da vida e mobilização dos recursos e das competências dos indivíduos, famílias e comunidades. A TC funciona como fomentadora da cidadania, restauração da auto-estima e da identidade cultural dos diversos contextos familiares, institucionais, sociais e comunitários. Favorece a promoção e prevenção da saúde e a reinserção social uma vez que propicia a expressão dos sofrimentos vivenciados nas várias dimensões da vida e que afetam diretamente a saúde das pessoas. A terapia comunitária é um exercício permanente de inclusão e valorização das diferenças.
O Projeto objetiva capacitar os profissionais da atenção básica na metodologia da TC para que possam utilizá-la em sua atuação nas comunidades uma vez que são esses profissionais que primeiro recebem e contatam com os problemas dessas populações. O levantamento realizado[1] sobre o impacto da TC demonstrou que 89 % dos participantes tiveram suas demandas atendidas nas práticas da terapia comunitárias, não sendo necessário o encaminhamento para outras instâncias de atendimento.
É de consenso que a promoção e atenção à saúde no nosso país serão tão mais efetivas à medida que esteja pautada no princípio da responsabilidade compartilhada entre governo e sociedade. A proposta deste Projeto está em sintonia com este princípio, pois prevê a atuação em parceria entre do Ministério da Saúde e a rede da Terapia Comunitária já atuante no país.
A Terapia Comunitária tem se revelado para os gestores de saúde e comunidade um instrumento de grande valor estratégico, uma preciosidade rumo à efetivação do Sistema Único de Saúde, respondendo dentro deste universo a importantes diretrizes como equidade e universalidade: grandes fontes de inclusão e cidadania.

2. O Impacto da Terapia Comunitária (TC) nas Redes de Assistência à Saúde

2.1 A TC na Estratégia Saúde da Família – ESF1
A decisão política de se reorganizar a rede de assistência à saúde através de uma política que apontasse para universalização do acesso da população brasileira à atenção básica e consolidasse o recente processo de descentralização, inaugurado com o advento do Sistema Único de Saúde (SUS), foi o norte inspirador da implantação da ESF nos mais diversos municípios brasileiros.
A introdução da Terapia Comunitária no âmbito da ESF é considerada uma medida compatível, viável e coerente com os objetivos da estratégia.
A formação das equipes de saúde da família, em especial dos agentes comunitários de saúde, para a criação de grupos de Terapia Comunitária vem de encontro a estas novas necessidades de saúde e acrescenta uma poderosa ferramenta de intervenção destas equipes na comunidade.

2.2 Rede de Saúde Mental
No Brasil, anualmente, cerca de 300 mil pessoas são internadas em hospitais psiquiátricos públicos e conveniados com o SUS, trazendo um grande custo para a sociedade. Os usuários destes serviços padecem de distúrbios relativos ao abandono, à insegurança e à baixa auto-estima.
Para enfrentar estes problemas, é necessário estimular e integrar ações e modelos que permitam investir na prevenção, desfocado da psiquiatrização e medicalização de problemas sociais e existenciais.
A Terapia Comunitária se propõe a reforçar a importância da valorização da família, reforçar a rede de apoio solidário, estimular que as pessoas cuidem mais de si e valorizar os recursos culturais locais.
A ação da Terapia Comunitária e suas Ações Complementares não serão junto à patologia psiquiátrica, que é da alçada do especialista, mas na promoção da saúde como uma ação complementar aos serviços já existentes.

2.3 Promoção da Saúde
A terapia comunitária apresenta-se como uma das estratégias de promoção da saúde mental que valoriza o saber popular, cria outras oportunidades de expressão do sofrimento psíquico, e amplia o escopo de atuação do serviço para as rodas de acolhimento comunitário. Mais do que um espaço de terapia tradicional, a terapia comunitária atua na formação de agentes comunitários para uma escuta do sofrimento e das inquietações dos indivíduos, criando um ambiente de troca dessas experiências entre os pares. Valoriza, ainda, as práticas populares, incorporando o saber das rezadeiras e benzedeiras, dos conhecimentos em remédios feitos com plantas medicinais, práticas integrativas, massoterapias e todos os saberes que foram se acumulando ao longo da história pela população local.

2.4 Humaniza SUS
O Ministério da Saúde tem reafirmado o HumanizaSUS, como política que atravessa as diferentes ações e instâncias do Sistema Único de Saúde, englobando os diferentes níveis e dimensões da atenção e da gestão.
Operando com o princípio da transversalidade, a Política Nacional de Humanização – PNH lança mão de ferramentas e dispositivos para consolidar redes, vínculos e a co-responsabilidade entre usuários, trabalhadores e gestores, diretrizes presentes na metodologia da Terapia Comunitária.

2.5 SENAD - Secretaria Nacional Anti-Drogas
A Terapia Comunitária tornou-se um instrumento facilitador na formação de redes solidárias para o enfrentamento do uso indevido de álcool e outras drogas e de problemas associados ao uso e à dependência.
Fundamentada na visão mais ampla da dependência, visa resgatar a inclusão dos sujeitos na família e na comunidade.
Esta forma de trabalho permite que se avance do modelo da assistência ao modelo das redes de solidariedade e da inclusão social.

3. Objetivo Geral
Capacitar na metodologia da Terapia Comunitária os profissionais da rede básica de saúde a fim de ampliar as possibilidades de atuação desses profissionais nas populações assistidas.

· Conteúdo programático do curso
Trata-se de um curso de capacitação profissional composto por 360 horas/aula, carga horária que confere certificação de Extensão aos profissionais, horas estas distribuídas em:
- 80 horas/aulas dedicadas aos aspectos teóricos;
- 80 horas/aulas de vivências terapêuticas, quando serão realizadas técnicas de relaxamento e autoconhecimento;
- 120 horas dedicadas à realização de práticas em Terapias Comunitárias, equivalente à condução de quarenta e oito terapias (48) como terapeutas ou como co-terapeutas, realizado nas comunidades e/ou instituições;
- 80 horas aulas de supervisão.

O curso será realizado em 8 módulos teóricos de 2 dias (compreendidos entre as sábado e domingos período integral), com intervalo de 1 meses entre um módulo e outro. A partir do primeiro módulo os alunos já estarão habilitados para iniciar a experiência em suas comunidades. O espaçamento entre os módulos permite aos participantes a prática supervisionada e uma aprendizagem que receberá reforços e supervisões periódicas.
Durante toda a formação (8 meses) os profissionais serão acompanhados por uma equipe de terapeutas comunitários certificados como formadores pela
Universidade Federal do Ceará, distribuídos pelos Pólos.
O cronograma de execução segue abaixo:
Atividade e Carga horária


Módulo teórico I - 20h
Vivências terapêuticas I - 20h
Supervisão pós módulo I - 20h
12 sessões de Terapia Comunitária pós módulo I (realizadas em serviço) - 30h
Módulo teórico II - 20h
Vivências terapêuticas II - 20h
Supervisão pós módulo II - 20h
12 sessões de Terapia Comunitária pós módulo II (realizadas em serviço) - 30h
Módulo teórico III - 20h
Vivências terapêuticas III - 20h
Supervisão pós módulo III - 20h
12 sessões de Terapia Comunitária pós módulo III (realizadas em serviço) - 30h
Módulo teórico IV - 20h
Vivências terapêuticas IV - 20h
Supervisão pós módulo IV - 20h
12 sessões de Terapia Comunitária pós módulo IV (realizadas em serviço) - 30h
TOTAL - 360h

Conteúdo Programático dos módulos teóricos:
A arte de cuidar;
A trajetória da Terapia Comunitária;
Terapia Comunitária: definição, objetivos e pressupostos;
O desenvolvimento da Terapia Comunitária; conhecendo as etapas da terapia comunitária;
A terapia comunitária e seus pilares teóricos:
- Pensamento sistêmico
- A teoria da comunicação
- Resiliência: quando a carência gera competência
- Antropologia cultural
- A ação-reflexão de Paulo Freire;
O enfoque narrativo na Terapia Comunitária;
O papel do Terapeuta Comunitário;
A implantação da Terapia Comunitária: a força da comunidade;
A terapia Comunitária e políticas públicas de saúde: Promoção da vida e da cidadania;
Vivências terapêuticas: trabalhando com nossas tensões, trabalhando as preocupações da mente, trabalhando nossos centros energéticos vitais, trabalhando nossa agressividade, nossa confiança e nossa integração no mundo;

Grupo, trabalhando o masculino e o feminino, o toque no túnel da confiança, o sol e a lua;
Treinamento da prática de Terapia Comunitária.


Ao final do curso é conferido certificado desde que o participante tenha cumprido todas as exigências e mínimo de 75% de freqüência (módulos teóricos e vivências terapêuticas). A certificação ocorre no prazo máximo de 2 anos.
O desenvolvimento da prática acontece durante a formação do terapeuta comunitário. Após o término do primeiro módulo o participante, com apoio da Supervisão, passa a realizar as sessões na comunidade, onde até o final da formação deverá ter realizado cerca de 48 sessões de terapia comunitária juntamente com seu grupo.

[1] Relatório de avaliação de impacto da Terapia Comunitária enquanto recurso de prevenção do uso de álcool e outras drogas / Convênio Senad/MismecCe/UFC – 2005-2006