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quarta-feira, 4 de maio de 2011

22 DE ABRIL: DIA DA TERRA...








Comemoramos dia 22 de abril O DIA MUNDIAL DO PLANETA TERRA, e para não deixar esta data passar em branco a equipe e usuários do CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) MARIA PIROLA foram às ruas no dia 20 de abril para presentear a população com mudas de flores juntamente com poesias feitas pelos usuários do serviço em oficinas realizadas no CAPS. A intenção deste trabalho foi levar um pouco do nosso desejo de um mundo mais verde, mais florido, e claro, por trás disso o desejo de que a conseqüência seja a diversidade de plantas, árvores, verdes, animais, PESSOAS, assim, quem sabe, a desigualdade diminua...Foi uma excelente mobilização, as pessoas nas ruas adoraram as poesias e as mudas e nos comprometeram plantá-las e cuidar com carinho de cada mudinha. Passamos pelo ponto de ônibus da Praça Coronel José Adolfo, e depois fomos até a Praça Governador Valadares, onde explicamos para cada cidadão a importância do cultivar tudo o que a Terra nos proporciona, pois um dia pode vir a faltar.
A intenção deste trabalho também foi de CUIDAR do nosso planeta que amamos e pelo qual lutamos. Fazer com que perdure sua beleza, e o fazer cada vez mais lindo, com a finalidade de agradecer a natureza, pois ela nos inspira a cada novo dia para o surgimento de lindas artes, de lindas visões, de deliciosos sabores, apesar de todos maus tratos do homem.
Não poderíamos deixar de agradecer a equipe da Flora Urciano pela confiança e pela atenção ao doar as mudas, nós funcionários e usuários do CAPS MARIA PIROLA, assim como o Planeta TERRA, agradecemos a colaboração.


TERRA, PODER DA ÁGUA

JOÃO BATISTA E RAQUEL

Terra adorada é criança deitada no berço com a boca aberta pedindo o céu para matar sua sede. Lá debaixo das folhas mortas, a Terra se move segura de onde vem mais um fardo de fartura.

Terra solo sagrado e chão quente esperando que a semente venha te cobrir de flor, minha alma também espera que no meu peito você plante a semente do amor.

A TERRA DE TODOS E DA NATUREZA

VANDER

A Terra é como o ar e a água

Terra macia, ela e a natureza, a natureza e nosso ambiente. Temos que plantar, aguar, proteger, assim elas vão crescer e a Terra ficará feliz. Sem a Terra e a natureza não temos o que nos alimenta, sem a água não temos como viver, não temos o que comer, o que beber. A Terra é fofa e feliz, temos que limpar para plantar, sem a terra não crescia flores, frutas, arroz, feijão, alface, couve...

A natureza, o meio ambiente, os animais precisam da Terra, Deus fez a Terra para o nosso viver, se não cuidarmos e colocar fogo na floresta, a floresta vai estragar assim como a Terra, não vamos mais alimentar, ter água limpa, ar fresco, alimentos, enfim... A Terra é a coisa mais importante. A Terra e a água será sempre importante para nós junto à natureza. Precisamos de uma natureza limpa para o nosso viver.

A TERRA PEDE SOCORRO

ROSANA

A Terra está sofrendo. O homem destrói cada dia milhares de hectares de terra. E com isso vem a erosão, a seca, falta de água e isto não a deixa produzir.

As plantas já não tem força para germinar para a vida, para sobreviver.as nascentes dos rios estão sumindo. Sem a Terra não haverá verde, ar puro para podermos respirar.

É preciso conscientizar as pessoas que é necessário proteger nossa Terra, fruto do nosso sustento. A Terra clama por solução. Futuras gerações virão, parra isso é preciso que cada um faça sua parte cuidando da Terra com carinho e amor. Então vamos amar nossa Terra!!!

O PLANETA TERRA

ELIANE

Deus criou o Planeta Terra com o propósito de dá vida a tudo que foi criado, Deus criou também a natureza com tudo que ainda existe até hoje. Mas, principalmente, Deus criou o homem e a mulher para cuidar de tudo o que ele fez desde o principio do mundo.

Hoje, infelizmente, o planeta está sendo destruído, pois a natureza esta sendo devastada totalmente pelo homem, está havendo muita destruição na face da terra, porque o homem esta contribuindo para isso. Ninguém sabe até quando a natureza vai resistir a tanta destruição, só Deus sabe até quando o Planeta vai suportar tanta agressão à natureza.

A natureza tem resistido a tudo o que tem acontecido contra ela, o pior é que muitos são prejudicados com a poluição do ar, o gás carbônico dos carros que soltam em meio a tanta gente. Atualmente, com a alta tecnologia o homem tem evoluindo o suficiente, a ponto de aumentar no trabalho vários tipos de soluções que ajudam a preservar a natureza no sentido de resolver alguma coisa importante que perdure para toda vida.


Essa é uma produção da OFICINA DE CARTAS E POESIAS do CAPS MARIA PIROLA...

terça-feira, 3 de maio de 2011

A DIFERENÇA COMO POSSIBILIDADE DE POTÊNCIA



Camila Bahia Leite

Hoje ao abrir a Folha de São Paulo(01/05/2011), me ative a uma reportagem que dizia: “Para comediantes, não há tabu no humor”, que dizia respeito à polêmica causada por um quadro na MTV intitulado“Casa dos Autistas”, que gerou todo um desconforto e críticas por parte doMovimento Pró-Autista e do Ministério Público Federal; além de incendiar e colocar em pauta uma discussão sobre a questão do respeito-desrespeito com relação à diferença. A reportagem desvela um contexto de situações onde a “diferença” ou aquele que é visto como “diferente” vira piada, lugar onde o imperfeito perde o lugar para o agenciamento donarcisismo-perfeição. Assim as diferenças são realçadas culturalmente. Aquele que é baixinho, magrelo, doente mental, deficiente físico, gordo, tímido, nerd,não pode ter seu lugar no mundo perfeito e padronizado... Quando se tornammotivo de piada, é isso que é dito, transmitido pela cultura “popular” massificada do culto ao perfeito, padronizado. Instala-se uma “des-educação” opressiva e estigmatizante, mostrando que o que é esperado e “politicamente correto” étudo aquilo que se encontra dentro da fronteira do padrão, do certo. E o que está fora de tais padrões, é “errado”, não deve ser aceito, valorizado. E isso não é desrespeito?

Há algumas semanas, o Brasil todo se emocionou com a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro, onde um rapaz invade a escola fazendo dos alunos, alvo de seus tiros. Surgiu toda uma indagação sobre seele teria sido ou não vítima de bullying quando estudante dessa mesma escola.Fato que reativou inúmeras campanhas contra a violência e desarmamento em todo Brasil. Como se a violência e o assédio não fizessem parte do cotidiano de muitos locais, brincadeiras, e jocosidades dentro de nosso território de vida.Não só dentro do espaço íntimo, como também nos espaços coletivos das redesconstruídas ou destruídas no trabalho, na escola, na praça, na rua, na internet, na relação com o(s) outro(s). Como se o preconceito e a dificuldadede olhar o outro não fizessem parte do nosso cotidiano, como se pudéssemos apreciar, olhar, e viver o que a “sociedade” aprova como obelo-aceitável-padronizado. Mas a violência, o bullying, estão aí em todos os lugares, ditados pelas normatizações padronizadas e estriadas de um mundo narcisista produzido pelo consumo e pela mídia, protagonistas de um humor ácido e jocoso trazendo em si a anti-produção do preconceito e do desprezo ao que édiferente.

A reportagem lida implica-me, reportando a todos esses pensamentos, à vivência de quem trabalha com o preconceito no dia a dia, seja na vida ou no trabalho, em diversos espaços sociais. Fez-me pensar na ética que transmitimos em opiniões midiáticas ou não, na responsabilidade social das posturas que tomamos na vida, em como isso repercute no mundo, no nosso mundo, no mundo do outro, em como as aceitamos e multiplicamos ludicamente ou não. Com humor, ou sem humor.

A discussão pode tornar-se rica, quando se pensa sobre qual a apropriação que o humor pode fazer sobre a diferença, pois da mesma forma como denigre e esvazia a percepção do ser humano de direitos, pode ser veículo de informação útil, multiplicadora e responsável desfazendo osnós do preconceito no cotidiano social, potencializando uma rede de consciência crítica. E aí fica a pergunta: por que não fazê-lo em prol de uma produção de cultura lisa e humana, dentro de uma ética e estética construtiva, onde o que édiferente pode ser potencializado e transformado, pois aí vive o sentido davida, a criação. Não é repetindo a dureza inerte do padrão-estruturado-perfeito, pois se é perfeito, o que será criado? Para que? Isso é morte, não-vida. Tal qual no filme Cisne Negro (Darren Aronofsky, EUA, 2010), onde a busca da perfeição traz dor, sofrimento, loucura e conduz à morte.

Vida é o que se movimenta e traz o novo, o novo vem da diferença produzida pelo desejo-invenção e dentro da singularidade do ser humano. Cada um é um, e sendo um, é possível inventar sua própria forma de estar no mundo, compondo um campo heterogêneo e com possibilidades de criação e busca de contatos produtivos repletos de mais vida, formando novas redes, múltiplas. Citando aqui outro filme, Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial (Aamir Khan, India, 2007), a estória do garoto Ishann, que traz uma nova forma de pensar a educação e as relações que a permeiam, construindo uma percepção singular do mundo infantil e sua imanência. É a transformação da realidade através da potencialização da diferença, é promoção de vida contagiante. Um garotinho que se sentia diferente, mas não sabia como ou por que, foi estigmatizado pela família incompreensiva, pela escola excludente e que felizmente encontrou alguém que se sentiu provocado e o percebeu como potencial criador-inventor e se fez ponte entre o preconceito-dor e a potência de vida-arte.

Fica o apelo, de ater-se criticamente ao que é produzido, de não cair na anti-produção, pela simples necessidade de produzir, acabando por produzir algo acultural, anti-etico eanti-estético. E que olhem para a diferença, não como quem olha para um “diferencial” que é ilusoriamente instituído pela competição mercadológica a se ver como um mero produto da dura-estriada anti-produção capitalista, que acaba por padronizar o tal diferencial. Mas olhem para a diferença, buscando no diferente, algo novo, que instigue a pensar, criar e vir a ser algo mais, para além do que já é vivido, consciente do que é vivido dentro de sua própria realidade desafiando suas virtualidades e atravessamentos.



Araxá, 01/05/2011

domingo, 8 de agosto de 2010

A verdade é o que você sente...

É o amor...
O resto é ilusão
A gente tem que chegar ao equilíbrio
Ao caminho do meio
Mas não é fácil não...
É preciso muitas oficinas de Pensamentos Livres...
O pensamento ultimamente é muito ruim...
Eu só tenho pensamentos negativos
Eu tô buscando melhora, ajuda
Eu sozinha não vou conseguir
Agora você conhece o caminho, o coração.
Eu agora só penso em morte
Às vezes, eu choro...
Eu penso muito na natureza, verde, flor.
Gosto de ganhar flores...
A criança retrata toda pureza, liberdade
Quando a gente é criança, é livre
Não tem pensamento ruim...
Quando a gente está doente, a liberdade acaba
Ficamos dependentes dos outros, de remédios.
“vou te contar...
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender...
Fundamental mesmo, é o amor...”
É impossível ser feliz sozinha
M. quando nós vamos catar umas goiabas?
Diz que Deus não castiga se roubar só frutas na horta do vizinho...
Na Rua Santa Rita, antiga Rua das Pedras
Tinha tantas mangas!
A gente juntava... tinha jabuticaba, limão, mexerica...
E era bom
Eu tinha doze anos...
Se não pode fugir, não
Lá fora é só ilusão...
Você tá dizendo o tempo todo que o importante tá dentro da gente???
A vida ensina pra gente que não vivemos sozinhos...
Que viver é sentir,
Não vegetar...
Não somos frutos do pecado
Do bem e do mal!
Se estamos aqui, É PRA VIVER!
Quando chegamos no coração
Chegamos no equilíbrio!
Quando passamos a viver o lado bom do amor,
O lado positivo
O lado ruim deixa de existir
Possa atrair as coisas boas
Por isso eu agradeço de estar aqui
Por isso eu amo todos vocês incondicionalmente.
Ninguém chega à felicidade senão for pelo coração.
“ostra feliz, não faz pérola...”

Poesia elaborada como construção coletiva em OFICINA DE PENSAMENTOS LIVRES, pelos usuários e profissionais do Ambulatório de Saúde Mental de Araxá, em 03/08/2010.

UM PENSAMENTO LIVRE...

Não vivo de utopia...
A realidade é feita de supostas fantasias
A realidade é!
A criança em mim, a amo!
Em brincadeiras e momentos de expansão
Livres! Todos somos livres!
Mas o pensamento te condiciona...
Pensamento Livre...
Coisas que passam pela cabeça,
E não quer contar pra ninguém...
Falo o que sinto
Isso é pensamento livre.
Fantasio que estou em Paris...
Que fiz gol na copa...
Que estou com uma namorada bonita...
É o que pensa, imagina...
Você tem idéias a partir da música...
Cada um tem sua idéia...
Você pensa o que te toca,
O pensamento pode ser mais livre...
Ninguém aprende aandar sozinho
Pensamentos quaisquer.
As coisas devem nascer dos pensamentos
O pensamento fala também da infância...
Cada um viveu a sua.
Lembranças da infância...
O que meu pai fazia...
A região em que vivi...
A gente nunca deixa de ser criança.
As mesmas do hoje, não lembro tanto quanto do passado...
Estamos programados a viver desde o começo...
A gente não pode ser livre???
A minha idéia era declamar poesias...
Um pensamento livre de cada um:
“ganhar na megasena”
“ ser feliz com ele...”
“desejo que todos se amem mais, vivam intensamente cada momento...”
“resultado do que ingere, se transforma em hidrato de carbono, e dirige seu pensamento para algo que não foi ainda condicionado...”
“Tudo o que já tinha que existir, já existiu... Não há muito para existir...”
“não somos totalmente livres”
“ninguém prende o que você pensa”
“é bolinha de sabão...”
“se é condicionado, não é livre...”
“não sei...” “é mais do que eu sei tudo”
“são fantasias... estar apaixonado... fantasiar que está com alguém...”
“é liberdade, vivo minha liberdade...”
A falta de liberdade dos outros, me afeta.
Definições relativas – é pensamento livre!
A bolinha de sabão, é o nitrogênio mais leve que o mundo aqui de fora...
O corpo mental pensa independente do seu sentir
Quando deseja que todos sejam livres, isso é liberdade???
Só vivendo pra saber...
Não dá pra ter respostas na ponta da língua...
Querem o bem da sociedade por que isso afeta a eles
É o pensamento livre, de ser livre!
A liberdade de um, depende da liberdade de outros.
O prazer tem a ver com sentimentos
Não, não tem...
É sentimento, diferente de pensamento.
Pensamentos desejantes são diferentes de pensamentos mentais
Você não é um trem...
Não precisa de um trilho.
A criança está dentro, mas não se vive só ela.
Pensamento livre é do “ser” humano...
Há pensamentos diferentes...
Cada um pensa do seu jeito
Cada um respeita o que o outro pensa
Parar de pensar em respostas decoradas
E viver mais intensamente
É muito pensamento
É profundo...
Há de trabalhar a humildade de cada um.
Reconhecer quem você é.
Pensamos muita coisa, mas temos limitação para pensar e agir.
Falta humildade quando se pensa em liberdade.
Nós somos limitados!
Fazemos o que podemos,
Mas é pouco em relação ao mundo à volta
A criança interior, inocência, infância
Reporta à humildade
Um dia, a gente não sabia...
A gente precisa de um pouco de loucura, pra cortar a corda e ser livre...
Não! A gente precisa de sensatez e liberdade
O segredo está no universo, e quando se descobre ele, deixa de existir.
PENSE LIVRE!!!!!
O labirinto não nos mostra o caminhar,
Mas nos ensinam a caminhar
Por onde passamos,
Cenas repetidas em busca de saída...

Poesia elaborada como construção coletiva em OFICINA DE PENSAMENTOS LIVRES, pelos usuários e profissionais do Ambulatório de Saúde Mental de Araxá, em 27/07/2010.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

, Saudade...


, Saudade...
Lua, estrelas, cachoeira, riacho
Boas recordações
Liberdade, proteção
Chuva, purificação
Renovação... prazer é alegria!
Era vaca, virou rato...
Fornece coisas boas...
Cresce e se forma, transforma
Tem necessidades e lembranças
Uma coisa vai construindo outras...
Sol e alface,
Sem sol nada cresce
Sem sol não se vê o dia,
Não se anda pelas ruas...
Sol é alegria
Sem alegria não se vê o dia,
Não se anda pelas ruas!
Alegria...
Harmonia é equilíbrio
Materializamos o que sentimos
Isso nos faz poetas,
Organizamos o que sentimos
Transfiro minhas asas de águia para o papel,
São multicolores
As asas da liberdade tem cores
Amor, é a energia que traz equilíbrio,
Amor é um mundo colorido
Me transformei de lagarta em borboleta
Rompi o casulo da matéria
Para um vôo de liberdade
Quando descobrir meu eu verdadeiro
Não terei mais o que descobrir
Não terei mais sentido...
Num riacho, no pantanal
O sol nasce na barraca de lona
Não sentia medo, nem de animal, nem de índio
Só simplicidade e respeito
Pouco se tinha, muito se vivia
Hoje tenho muito e sou pouco feliz
As poucas alegrias de hoje acalentam...
Difícil é explicar a saudade que se sente...
Minha cachorrinha, é carinho, confiança, amizade, alegria...
Isso me distrai
É pensar em brincadeira... parece prazer!
Não dá conta de resumir tudo...
O ser humano precisa aprender a escutar,
Chamam de louco!
O que se vive é real, para você
Pode não ser para eles... mas é bom!!
Depois que rompi o casulo
Nas asas da imaginação
Dentro do pensamento livre
Eu cheguei ao céu
Descobri o mundo verdadeiro
Que está dentro do meu coração...

Poesia elaborada como construção coletiva em OFICINA DE PENSAMENTOS LIVRES, pelos usuários do Ambulatório de Saúde Mental de Araxá, em 06/07/2010.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As Siglas, Os Usuários e Os Familiares

Existe uma camisa-de-força que nos classifica, que nos separa e, que acaba se transformando em um retrocesso no movimento da saúde mental. Hoje, devemos estar inseridos em uma das duas classificações, ou somos MNLA, ou somos Rede Internúcleos, porém, diante da angústia dos usuários e dos familiares, esta questão de siglas... é o que menos importa.

Nem seccionar, nem segregar, não é esta a nossa intenção, absolutamente, ao contrário. Nossa intenção é ter como meta a união dos movimentos sociais e da reforma psiquiátrica. Precisamos repensar nossos desafios e o nosso futuro, como força de mudança. Precisamos estar articulados, integrados, unidos e fortalecidos. Nossas metas precisam ser debatidas sempre, sem que fiquemos, somente, na “queixa paralisante”. Precisamos ter critérios bastante nítidos e claros. Nossa participação tem que ser feita só como movimento social, sempre em expansão, sem nos permitir ser monopolizados, ou mesmo, sermos monopolizadores. Temos que estar preparados, acima de tudo, para sermos – INDEPENDENTES!

Mais uma conferência. Ainda é cedo para uma avaliação, entretanto, de imediato, foi muito produtiva, avançamos muito, mas, por enquanto, tudo está só no papel. O tempo dirá se as propostas aprovadas serão colocadas em prática – aguardemos, pois...

O movimento social esteve presente com muita ênfase. Usuários, familiares, técnicos, intersetorialidade tiveram a possibilidade de discutir com ampla e total liberdade, suas propostas que, agora, passarão por um processo de decantação, para se autenticarem – ou não. Naquele calor dos debates, não conseguimos perceber tudo e nem nos lembrar de que, poderíamos haver feito outras propostas, que somente agora, nos ocorrem.

A proposta que não foi feita: Que usuários e familiares não usem em suas apresentações, seu pertencimento a esta ou àquela sigla. Que existam quantas siglas existirem, porém, que elas não sejam usadas para nos identificar, como gado marcado a ferro. Sugerimos que a apresentação seja feita, apenas, como: fulano-de-tal/usuário/familiar/técnico/ simpatizante; militante da saúde mental e da reforma psiquiátrica e local de orígem. Sabedores da nossa importância, dispensamos o uso das siglas. Estas siglas que nos identificam, lembram o caso do cartão para requisição de medicamentos com o carimbo “esquizofrênico”, denunciado neste grupo, e que, nos causou tanta indignação.

Nossa fala é a fala do familiar, do observador da cena política, dos movimentos sociais, da sociedade civil, da cultura, da política institucional e da política da saúde, que são temas conflituosos sabemos, mas, de um conflito transformador e criativo. A operação “ficha-limpa” não deveria se restringir, apenas, aos políticos, mas, ser extensiva a todos, sem exceção.

Nessa próxima eleição que está se pondo, queremos saber dos candidatos, qual a sua programação para a saúde mental, nas três esferas de governo. Nós, usuários e familiares, precisamos ter estratégias e propostas claras e objetivas, a fim de evitar sermos manipulados por lideranças messiânicas, ideologias, crenças, religiões, partidos políticos, laboratórios, sindicatos, conselhos, instituições corporativistas e etc. Disputas hegemônicas deverão, sempre, ser denunciadas. As lideranças serão espontâneas e, deverão submergir, a fim de que haja espaço para que outras ocupem esse lugar.

Geraldo Peixoto e Dulce , representantes dos familiares, implicados com a luta antimanicomial.

Rede HumanizaSUS