quarta-feira, 4 de maio de 2011

22 DE ABRIL: DIA DA TERRA...








Comemoramos dia 22 de abril O DIA MUNDIAL DO PLANETA TERRA, e para não deixar esta data passar em branco a equipe e usuários do CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial) MARIA PIROLA foram às ruas no dia 20 de abril para presentear a população com mudas de flores juntamente com poesias feitas pelos usuários do serviço em oficinas realizadas no CAPS. A intenção deste trabalho foi levar um pouco do nosso desejo de um mundo mais verde, mais florido, e claro, por trás disso o desejo de que a conseqüência seja a diversidade de plantas, árvores, verdes, animais, PESSOAS, assim, quem sabe, a desigualdade diminua...Foi uma excelente mobilização, as pessoas nas ruas adoraram as poesias e as mudas e nos comprometeram plantá-las e cuidar com carinho de cada mudinha. Passamos pelo ponto de ônibus da Praça Coronel José Adolfo, e depois fomos até a Praça Governador Valadares, onde explicamos para cada cidadão a importância do cultivar tudo o que a Terra nos proporciona, pois um dia pode vir a faltar.
A intenção deste trabalho também foi de CUIDAR do nosso planeta que amamos e pelo qual lutamos. Fazer com que perdure sua beleza, e o fazer cada vez mais lindo, com a finalidade de agradecer a natureza, pois ela nos inspira a cada novo dia para o surgimento de lindas artes, de lindas visões, de deliciosos sabores, apesar de todos maus tratos do homem.
Não poderíamos deixar de agradecer a equipe da Flora Urciano pela confiança e pela atenção ao doar as mudas, nós funcionários e usuários do CAPS MARIA PIROLA, assim como o Planeta TERRA, agradecemos a colaboração.


TERRA, PODER DA ÁGUA

JOÃO BATISTA E RAQUEL

Terra adorada é criança deitada no berço com a boca aberta pedindo o céu para matar sua sede. Lá debaixo das folhas mortas, a Terra se move segura de onde vem mais um fardo de fartura.

Terra solo sagrado e chão quente esperando que a semente venha te cobrir de flor, minha alma também espera que no meu peito você plante a semente do amor.

A TERRA DE TODOS E DA NATUREZA

VANDER

A Terra é como o ar e a água

Terra macia, ela e a natureza, a natureza e nosso ambiente. Temos que plantar, aguar, proteger, assim elas vão crescer e a Terra ficará feliz. Sem a Terra e a natureza não temos o que nos alimenta, sem a água não temos como viver, não temos o que comer, o que beber. A Terra é fofa e feliz, temos que limpar para plantar, sem a terra não crescia flores, frutas, arroz, feijão, alface, couve...

A natureza, o meio ambiente, os animais precisam da Terra, Deus fez a Terra para o nosso viver, se não cuidarmos e colocar fogo na floresta, a floresta vai estragar assim como a Terra, não vamos mais alimentar, ter água limpa, ar fresco, alimentos, enfim... A Terra é a coisa mais importante. A Terra e a água será sempre importante para nós junto à natureza. Precisamos de uma natureza limpa para o nosso viver.

A TERRA PEDE SOCORRO

ROSANA

A Terra está sofrendo. O homem destrói cada dia milhares de hectares de terra. E com isso vem a erosão, a seca, falta de água e isto não a deixa produzir.

As plantas já não tem força para germinar para a vida, para sobreviver.as nascentes dos rios estão sumindo. Sem a Terra não haverá verde, ar puro para podermos respirar.

É preciso conscientizar as pessoas que é necessário proteger nossa Terra, fruto do nosso sustento. A Terra clama por solução. Futuras gerações virão, parra isso é preciso que cada um faça sua parte cuidando da Terra com carinho e amor. Então vamos amar nossa Terra!!!

O PLANETA TERRA

ELIANE

Deus criou o Planeta Terra com o propósito de dá vida a tudo que foi criado, Deus criou também a natureza com tudo que ainda existe até hoje. Mas, principalmente, Deus criou o homem e a mulher para cuidar de tudo o que ele fez desde o principio do mundo.

Hoje, infelizmente, o planeta está sendo destruído, pois a natureza esta sendo devastada totalmente pelo homem, está havendo muita destruição na face da terra, porque o homem esta contribuindo para isso. Ninguém sabe até quando a natureza vai resistir a tanta destruição, só Deus sabe até quando o Planeta vai suportar tanta agressão à natureza.

A natureza tem resistido a tudo o que tem acontecido contra ela, o pior é que muitos são prejudicados com a poluição do ar, o gás carbônico dos carros que soltam em meio a tanta gente. Atualmente, com a alta tecnologia o homem tem evoluindo o suficiente, a ponto de aumentar no trabalho vários tipos de soluções que ajudam a preservar a natureza no sentido de resolver alguma coisa importante que perdure para toda vida.


Essa é uma produção da OFICINA DE CARTAS E POESIAS do CAPS MARIA PIROLA...

terça-feira, 3 de maio de 2011

A DIFERENÇA COMO POSSIBILIDADE DE POTÊNCIA



Camila Bahia Leite

Hoje ao abrir a Folha de São Paulo(01/05/2011), me ative a uma reportagem que dizia: “Para comediantes, não há tabu no humor”, que dizia respeito à polêmica causada por um quadro na MTV intitulado“Casa dos Autistas”, que gerou todo um desconforto e críticas por parte doMovimento Pró-Autista e do Ministério Público Federal; além de incendiar e colocar em pauta uma discussão sobre a questão do respeito-desrespeito com relação à diferença. A reportagem desvela um contexto de situações onde a “diferença” ou aquele que é visto como “diferente” vira piada, lugar onde o imperfeito perde o lugar para o agenciamento donarcisismo-perfeição. Assim as diferenças são realçadas culturalmente. Aquele que é baixinho, magrelo, doente mental, deficiente físico, gordo, tímido, nerd,não pode ter seu lugar no mundo perfeito e padronizado... Quando se tornammotivo de piada, é isso que é dito, transmitido pela cultura “popular” massificada do culto ao perfeito, padronizado. Instala-se uma “des-educação” opressiva e estigmatizante, mostrando que o que é esperado e “politicamente correto” étudo aquilo que se encontra dentro da fronteira do padrão, do certo. E o que está fora de tais padrões, é “errado”, não deve ser aceito, valorizado. E isso não é desrespeito?

Há algumas semanas, o Brasil todo se emocionou com a tragédia ocorrida no Rio de Janeiro, onde um rapaz invade a escola fazendo dos alunos, alvo de seus tiros. Surgiu toda uma indagação sobre seele teria sido ou não vítima de bullying quando estudante dessa mesma escola.Fato que reativou inúmeras campanhas contra a violência e desarmamento em todo Brasil. Como se a violência e o assédio não fizessem parte do cotidiano de muitos locais, brincadeiras, e jocosidades dentro de nosso território de vida.Não só dentro do espaço íntimo, como também nos espaços coletivos das redesconstruídas ou destruídas no trabalho, na escola, na praça, na rua, na internet, na relação com o(s) outro(s). Como se o preconceito e a dificuldadede olhar o outro não fizessem parte do nosso cotidiano, como se pudéssemos apreciar, olhar, e viver o que a “sociedade” aprova como obelo-aceitável-padronizado. Mas a violência, o bullying, estão aí em todos os lugares, ditados pelas normatizações padronizadas e estriadas de um mundo narcisista produzido pelo consumo e pela mídia, protagonistas de um humor ácido e jocoso trazendo em si a anti-produção do preconceito e do desprezo ao que édiferente.

A reportagem lida implica-me, reportando a todos esses pensamentos, à vivência de quem trabalha com o preconceito no dia a dia, seja na vida ou no trabalho, em diversos espaços sociais. Fez-me pensar na ética que transmitimos em opiniões midiáticas ou não, na responsabilidade social das posturas que tomamos na vida, em como isso repercute no mundo, no nosso mundo, no mundo do outro, em como as aceitamos e multiplicamos ludicamente ou não. Com humor, ou sem humor.

A discussão pode tornar-se rica, quando se pensa sobre qual a apropriação que o humor pode fazer sobre a diferença, pois da mesma forma como denigre e esvazia a percepção do ser humano de direitos, pode ser veículo de informação útil, multiplicadora e responsável desfazendo osnós do preconceito no cotidiano social, potencializando uma rede de consciência crítica. E aí fica a pergunta: por que não fazê-lo em prol de uma produção de cultura lisa e humana, dentro de uma ética e estética construtiva, onde o que édiferente pode ser potencializado e transformado, pois aí vive o sentido davida, a criação. Não é repetindo a dureza inerte do padrão-estruturado-perfeito, pois se é perfeito, o que será criado? Para que? Isso é morte, não-vida. Tal qual no filme Cisne Negro (Darren Aronofsky, EUA, 2010), onde a busca da perfeição traz dor, sofrimento, loucura e conduz à morte.

Vida é o que se movimenta e traz o novo, o novo vem da diferença produzida pelo desejo-invenção e dentro da singularidade do ser humano. Cada um é um, e sendo um, é possível inventar sua própria forma de estar no mundo, compondo um campo heterogêneo e com possibilidades de criação e busca de contatos produtivos repletos de mais vida, formando novas redes, múltiplas. Citando aqui outro filme, Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial (Aamir Khan, India, 2007), a estória do garoto Ishann, que traz uma nova forma de pensar a educação e as relações que a permeiam, construindo uma percepção singular do mundo infantil e sua imanência. É a transformação da realidade através da potencialização da diferença, é promoção de vida contagiante. Um garotinho que se sentia diferente, mas não sabia como ou por que, foi estigmatizado pela família incompreensiva, pela escola excludente e que felizmente encontrou alguém que se sentiu provocado e o percebeu como potencial criador-inventor e se fez ponte entre o preconceito-dor e a potência de vida-arte.

Fica o apelo, de ater-se criticamente ao que é produzido, de não cair na anti-produção, pela simples necessidade de produzir, acabando por produzir algo acultural, anti-etico eanti-estético. E que olhem para a diferença, não como quem olha para um “diferencial” que é ilusoriamente instituído pela competição mercadológica a se ver como um mero produto da dura-estriada anti-produção capitalista, que acaba por padronizar o tal diferencial. Mas olhem para a diferença, buscando no diferente, algo novo, que instigue a pensar, criar e vir a ser algo mais, para além do que já é vivido, consciente do que é vivido dentro de sua própria realidade desafiando suas virtualidades e atravessamentos.



Araxá, 01/05/2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CAPS: o que é isso?


A psicose não é defeito/déficit na racionalidade. Ela é desrazão, nem menos, nem mais, é uma outra forma de funcionamento, assim, como o mítico e o poético.
Bichuetti


Atualmente, fala-se muito em todo o país sobre a Luta Antimanicomial, mas desinstitucionalizar a loucura não é um processo apenas técnico, jurídico, legislativo ou político.
A Reforma Psiquiátrica é muito mais do que derrubar os muros e grades dos manicômios, desativar celas fortes, proibir eletrochoque, “sossega-leão” ou camisa de força. Primeiro, é preciso quebrar dentro das pessoas o preconceito de que o “louco” é perigoso, inválido, improdutivo e irresponsável. Mesmo porque, a agressividade que ele, por vezes apresenta nas crises, ocorre muito mais por inabilidade ou violência dos familiares ou falta de capacitação do profissional de saúde.
A desinstitucionalização da loucura não ocorre por decreto, portaria ou lei. Ela se dá no cotidiano, e a efetividade das transformações só será possível quando toda a sociedade assumir o desafio de conviver com a diferença e aceitar a diversidade.
Dentro dessa lógica, surge o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) um serviço público de saúde mental que visa prestar atendimento às pessoas com sofrimentos psíquicos graves e persistentes, diminuindo e evitando internações psiquiátricas. Os usuários voltam para casa todos os dias, sem a quebra dos laços familiares e sociais, fator muito comum em internações de longa duração.
A clínica antimanicomial busca amenizar e cuidar da crise aguda sim, para que as pessoas possam recuperar a autonomia e se inserir nas atividades cotidianas. Assegura a monitoração apropriada da medicação, oferece assistência social, apoio familiar, espaço para a elaboração psicológica (psicoterapia), a terapia de grupo e oficinas terapêuticas (trabalhos manuais, culinária, esportes, música, poesia, tecelagem costura etc.). Assim, a crise não é vista como um transtorno ou um incômodo e o CAPS oferece um território continente e acolhedor marcado pela maternagem e a reconstrução do convívio social.
No CAPS, todas as práticas são integradas desenhando um projeto terapêutico individualizado para cada paciente e não, um tratamento padronizado. Todos os profissionais que lá trabalham têm que ter um objetivo comum: a valorização do paciente psiquiátrico e sua possibilidade de reprodução social.
É essencial que haja supervisão externa e formação permanente dos profissionais, para que não se tornem meros “consertadores” em saúde mental.
É preciso cuidar para que as práticas dos profissionais de saúde mental do CAPS não se reduzam à divisão de tarefas, cada especialista desempenhando sua função isoladamente. Esse funcionamento pode reforçar o sofrimento dos usuários em doença mental.
Segundo a Linha Guia de Saúde Mental do Ministério da Saúde:

Não se pode definir uma equipe como um aglomerado de trabalhadores, na qual cada um deles exerce apenas a sua função profissional específica. As identidades profissionais não podem servir de pretexto para o apego burocrático a uma função. Se é verdade que compete ao médico prescrever, o que o impede de levar os usuários a um passeio? Se a psicóloga deve responder por atendimentos individuais, por que não pode coordenar uma oficina? Se for atribuição da enfermeira supervisionar o trabalho dos auxiliares de enfermagem, por que não pode escutar e acompanhar seus pacientes? Se o porteiro deve zelar pelos que entram e saem, não lhe cabe também fazer companhia a quem fica? Também não podemos entender as equipes apenas como uma forma de dividir o trabalho, em que cada um faz “a sua parte”, sem necessitar preocupar-se com o produto total. Uma equipe de Saúde deve compor-se de profissionais de formações diferentes, assegurando assim a diversidade de suas funções e a troca de suas experiências. Naturalmente, as especificidades das diferentes profissões devem ser respeitadas.

Para Bichuetti (2010)
O CAPS não funciona numa perspectiva manicomial. Se assim o for, pode ser um ambulatório ou algo similar, não um CAPS. O manicômio é mais que um lugar de portas fechadas. É a especialização, a segmentação, as divisões que limitam a comunicação e influenciam no viver da clínica. Para Rotelli, é o lugar de troca zero. Estamos inventando um “entre” para o diálogo? O saber de alguém anula o desejo do outro? Porque podemos estar fragilizando as trocas e reinstituindo o manicômio. (...) No antimanicomial, a circulação é importante. É proibido entrar na cozinha, mas em casa entramos, temos acesso livre. Não tem como trabalhar sem maternagem no CAPS, não há CAPS sem festa: o CAPS não pode se converter num aparato cinzento de intervenções anêmicas e de silêncio normatizador.

O CAPS trabalha bastante articulado com a rede de serviços da região, pois tem a função de dar suporte e supervisão à rede básica também, além de envolver-se em ações intersetoriais – com a educação, trabalho, esporte, cultura, lazer etc. – na busca de reinserção dos seus membros em todas as áreas da vida cotidiana. As intervenções terapêuticas no espaço extra institucional são muito importantes. A ação terapêutica pode se dar durante os passeios, viagens, excursões, no clube, no cinema, na piscina, no campo, na cachoeira, nas bibliotecas, no restaurante, no bosque, no shopping, nos museus e em todos os espaços onde os sujeitos possam exprimir e exercitar sua subjetividade.
Existem algumas modalidades de CAPS, de acordo com as diferentes necessidades de cada território: CAPS I – para municípios com populações entre 20.000 e 70.000 habitantes, CAPS II – para populações entre 70.000 e 200.000 habitantes, CAPS III - acima de 200.000 habitantes (esse é o único que funciona 24 horas, incluindo feriados e fins de semana). CAPSi – atende crianças e adolescentes (até 17 anos de idade), e CAPSad – atende, especificamente, usuários de álcool e outras drogas cujo uso é secundário ao transtorno mental clínico.
Enfim, aquele que procura esse serviço de saúde mental não é um doente, mas uma pessoa em desequilíbrio, uma subjetividade, uma singularidade. A tarefa da equipe é facilitar o seu processo de descoberta de um modo menos doloroso de autoexpressão para ele e sua família, acompanhando a transformação de sua vida concreta e cotidiana, que alimenta o sofrimento.
A nova clínica antimanicomial acolhe os sujeitos e não somente a patologia, e é realizado “um trabalho de colagem dos pedacinhos. Remontagem de sentido e de valor. A busca meticulosa do tesouro contido na desordem, no caos” (MELMAN, 1999).
Conclamo o envolvimento de toda a sociedade e o apoio político e operacional dos governantes para que o CAPS de Araxá seja credenciado pelo Ministério da Saúde.

Angela Maria Amâncio de Ávila - Psicóloga- CRP-04/2683

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Universidade Popular Juvenal Arduini - Estradear da Libertação





Sábado, dia de sol... Calor e amizade: um bom encontro, novos passos na caminhada da construção da Universidade Popular Juvenal Arduini... Aqui, um breve relato... Uma conversa para que possamos juntos desbravar novos horizontes e seguir adiante, passo a passo, visando o alvorecer, a utopia e a vida florescente da nossa conjunta invenção... Da nossa Upop-JA... Um projeto popular, um sonho de libertação... O espaço coletivo "Cuidado e produção de vida" desbravou planos, linhas, fluxos que emergem e brotam, que fecundam e vitalizam a produção de vida com o cuidado redefinido como vínculo, corresponsabilização e encargo, alegria e bom encontro; um novo cuidado que alenca as características do cuidado como amor, ternura vital, carícia essencial, justa medida, conviviabilidade, compaixão e solidariedade (Boff)... Descuido; exclusão... cuidado; inclusão... Vida que se vê reinventado e trabalhador que se reinventa no ato amoroso de cuidar, incluindo; de cuidar, libertando...O espaço coletivo "Arte e produção de vida" mergulhou e na arte encontrou a vida suprimida, pela exploração e pelo racionalismo cartesiano... Viu-se no horizonte da arte, a vida libertária, onde não há barreiras entre o agora e o porvir... entre o que pode um corpo e o que sonha um corpo... Surrealismo, vida como obra de arte, arte-militante na transversal da invenção de um novo mundo possível... Arte que cura,, porque subjetiva vida nova; arte que conhece novos mundos possíveis porque libera a potência da mudança... O espaço coletivo " Ecologia e produção de vida" desmistificou a ideia de culpa e resgatou uma compreensão de historicidade das problemáticas ecológicas atuais... Desnudou nas entranhas da ecologia seu vínculo com o desenvolvimento do capital e da acumulação perversa... As saídas se mostraram no protagonismos das coletividades que necessitam perguntar que meio ambiente queremos e que caminhos escolhemos para conviver com a natureza, não a objetivando como uma coisa alheia; mas se sentindo vida-natureza... Sustentabilidade; catástrofes foram tematizadas com espírito indagador; necessitamos de pensar a natureza nos coletivos perguntando que vida queremos...O espaço coletivo "Práticas sociais e produção de vida" trabalhou com um aguerrido e valoroso espírito militante de pensar o social, pensando conjuntamente o que fazer... Injustiça, exclusão, estigmatização... A realidade social envolve uma complexa problemática: da exploração capitalista à exclusão do diferente; das políticas públicas às ações instituintes dos que trabalham pela vida e pela libertação... Um espaço que centrou-se na construção de propostas que daria a tônica da plenária... Decisões da Plenária: manutenção das temáticas com preparação e participação coletiva - será postado neste blog um disparador sobre os diversos temas e todos iremos postar comentários, enriquecendo e dando maior amplitude aos diálogos criativos do próximo encontro.... Entrevistas com os coordenadores dos grupos deste encontro, visando democratizar e já ir aprofundando... Perguntas poderão ser enviadas para este blog e nós repassaremos, ou diretamente para os coordenadores: Arte - Jorge Bichuetti e Elisa Carvalho; Cuidado - Celso Macedo; Ecologia - Renato Muniz; e Práticas Sociais - Sumayra Oliveira - próximo encontro, repetição com aprofundamento das temáticas e coordenação coletivizada. Participação no Dia da Terra, 22 de Abril, no TEU- Cineclube na Upop-JA - próximo encontro Amacord - Fellini...- Cineclube na periferia - Local - Creche Comunitária Coração de Maria - filme para o bairro, sobre a problemática da dependência química... Dia 11 de Junho...- articulação de um Encontro de Blogueiros - próxima plenária deverá marcar data e construir a pauta do encontro...No final, tivemos alegria da participação do TEU... Poesia, reflexões... Próximo encontro, dia 14 de maio... às 13 h...Não consegui traduzir com o uso da palavra a alegria, a amizade e a vitalidade do que foi vivido... Nosso sonho vai se materializando e nos revelando o quanto aprendemos, crescemos e nos transformamos com estes momentos de trocas solidárias, de criatividade e invenção do novo... É a poesia viva da educação solidária... É o canto sem palavras do que pode a educação que se move pela alegria... É a semente que brilha e nos anuncia as cores do alvorecer... UNIVERSIDADE POPULAR JUVENAL ARDUINI UM SONHO COLETIVO, UM CAMINHO DE ALEGRIA, ARTE E VIDA... ESPERAMOS TAMBÉM VOCÊ... VAMOS REINVENTAR NOSSAS VIDAS...

Jorge Bichuetti



domingo, 10 de abril de 2011

Ousar - Estradear

"Ousemos... Inventemos... E que repitamos com os surrealistas: não será o medo da loucura que nos fará baixar as bandeiras da imaginação. Pelo direito à loucura, pela defesa da inclusão social e dos direitos humanos, por fazer caber na sociedade a loucura, tomemos de assalto a rua, a cidade e o céu".
Jorge Bichuetti

Saúde Mental - Atenção Básica

Olá! Em março, este blog completou 2 anos de existência! A matéria abaixo, foi a primeira postada em março de 2009.

A Política Nacional de Saúde Mental propõe que as práticas de saúde mental na atenção básica/saúde da família devam ser substitutivas ao modelo tradicional e não medicalizantes ou produtoras da psiquiatrização e psicologização do sujeito e de suas necessidades. Por isso, é necessária a articulação da rede de cuidados, tendo como objetivo a integralidade do sujeito, constituindo um processo de trabalho voltado para as necessidades singulares e sociais e não somente para as demandas. Considera-se que a atenção básica/saúde da família é a porta de entrada preferencial de todo o Sistema de Saúde, inclusive no que diz respeito às necessidades de saúde mental dos usuários. Busca-se resgatar a singularidade de cada usuário, investindo no seu comprometimento com o tratamento, apostando em seu protagonismo, tentando romper com a lógica de que a doença é sua identidade e de que a medicação é a ‘única’ responsável pelas melhoras; investir nas suas potencialidades; auxiliar na formação de laços sociais e apostar na força do território como alternativa para a reabilitação social. Dessa forma, há uma convergência de princípios entre a saúde mental e a atenção básica. Para que a saúde mental aconteça de fato na atenção básica é necessário que os princípios do SUS se transformem em prática cotidiana. Podemos sintetizar como princípios fundamentais da articulação entre saúde mental e atenção básica/saúde da família: promoção da saúde; território; acolhimento, vínculo e responsabilização; integralidade; intersetorialidade; multiprofissionalidade; organização da atenção à saúde em rede; desinstitucionalização; reabilitação psicossocial; participação da comunidade; promoção da cidadania dos usuários. Na articulação entre a saúde mental e a atenção básica o apoio matricial constitui um arranjo organizacional que visa ações conjuntas. Nesse arranjo, o profissional da saúde mental responsável pelo apoio participa de reuniões de planejamento das equipes de ESF, realiza ações de supervisão, discussão de casos, atendimento compartilhado e atendimento específico, além de participar das iniciativas de capacitação. Esse compartilhamento se produz em forma de co-responsabilização pelos casos, que pode se efetivar por meio de discussões conjuntas, intervenções junto às famílias e comunidades. Uma forma de implementar o apoio matricial é através dos NASF (Núcleo de Apoio à saúde da Família). Desde janeiro de 2008 há regulamentação para a formação destas equipes, com recomendação explícita de que cada NASF conte com pelo menos um profissional de saúde mental. A mudança do modelo de atenção à saúde mental dentro do SUS é direcionada para a ampliação e qualificação do cuidado nos serviços comunitários, com base no território. Trata-se de uma mudança na concepção e na forma de como deve se dar o cuidado: o mais próximo da rede familiar, social e cultural do paciente, para que seja possível a retomada de sua história de vida e de seu processo de adoecimento. Aliado a isto adota-se a concepção de que a produção de saúde é também produção de sujeitos. Os saberes e práticas não somente técnicos devem se articular à construção de um processo de valorização da subjetividade, onde os serviços de saúde possam se tornar mais acolhedores, com possibilidades de criação de vínculos. Existe um componente de sofrimento subjetivo associado a toda e qualquer doença, às vezes atuando como entrave à adesão a práticas de promoção da saúde ou de vida mais saudáveis. Poderíamos dizer que todo problema de saúde é também – e sempre – mental, e que toda saúde mental é também – e sempre – produção de saúde. Nesse sentido, é sempre importante e necessária a articulação da saúde mental com a atenção básica/saúde da família.

Coordenação Nacional de Saúde Mental – Ministério da Saúde